quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O LIVRO DOS ESPÍRITOS
Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita
I
Para coisas novas, palavras novas são necessárias, assim o requer a clareza da linguagem, para evitar a confusão inseparável do sentido múltiplo dos mesmos termos. As palavras espiritual[1], espiritualista[2], espiritualismo[3], possuem uma acepção bem definida; dar-lhes uma nova para aplicá-las à Doutrina dos Espíritos, seria multiplicar as causas já tão numerosas de anfibologia. Com efeito, o espiritualismo é o oposto do materialismo; quem quer que acredite possuir em si outra coisa além da matéria é espiritualista; mas daí não se conclui que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível. Em lugar das palavras ESPIRITUAL, ESPIRITUALISMO, empregamos, para designar essa última crença, as de espírita e de espiritismo cuja forma lembra a origem e o sentido radical, e que por isso mesmo têm a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, reservando à palavra espiritualismo sua acepção própria. Diremos, portanto, que a Doutrina Espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se quiserem, os espiritistas. Como especialidade,
O Livro dos Espíritos contém a Doutrina Espírita; como generalidade, ele se prende à Doutrina Espiritualista da qual apresenta uma das fases. Esta é a razão pela qual ele traz no topo de seu título às palavras: Filosofia Espiritualista.
II
Há uma outra palavra sobre a qual convém igualmente se entenderem, porque é um dos esteios de toda doutrina moral, e porque é objeto de numerosas controvérsias, por falta de uma acepção bem determinada; é a palavra alma.[4] A divergência de opiniões sobre a natureza da alma vem da aplicação particular que cada um faz desta palavra. Uma língua perfeita, em que cada ideia tivesse sua representação através de um termo próprio, evitaria muitas discussões; com uma palavra para cada coisa, todo o mundo se entenderia.
Segundo uns, a alma é o princípio da vida material orgânica; ela não tem, absolutamente, existência própria e termina com a vida: é o materialismo puro. Neste sentido, e por comparação, falam de um instrumento rachado que não emite mais som: ele não tem alma. Conforme essa opinião, a alma seria um efeito e não uma causa.
Outros pensam que a alma é o princípio da inteligência, agente universal do qual cada ser absorve uma porção. Segundo eles, não haveria para todo o Universo senão uma alma que distribui centelhas entre os diversos seres inteligentes, durante a vida destes; depois da morte, cada centelha retorna à fonte comum onde ela se confunde no todo, como os riachos e os rios retornam ao mar de onde saíram.
Esta opinião difere da precedente pelo fato de que, nesta hipótese, há em nós mais do que a matéria, e de que alguma coisa subsiste após a morte; mas é quase como se nada restasse, visto que, não possuindo mais individualidade, não teríamos mais consciência de nós mesmos. Conforme esta opinião, a alma universal seria Deus, e cada ser uma porção da Divindade; é uma variação do panteísmo.
Segundo outros, finalmente, a alma é um ser moral, distinto, independente da matéria e que conserva sua individualidade após a morte. Esta acepção é, certamente, a mais geral, porque, sob um nome ou sob outro, a ideia desse ser que sobrevive ao corpo encontra-se no estado de crença instintiva e independente de qualquer ensino, em todos os povos, qualquer que seja o grau de sua civilização. Esta doutrina, segundo a qual a alma é a causa e não o efeito, é a dos espiritualistas.
Sem discutir o mérito destas opiniões, e apenas considerando o aspecto linguístico da questão, diremos que estas três aplicações da palavra alma constituem três ideias distintas que pediriam, cada qual, um termo diferente. Esta palavra tem, portanto, uma tripla acepção, e cada qual tem razão, sob seu ponto de vista, na definição que lhe dá; a dificuldade ocorre porque a língua possui uma só palavra para três ideias. Para evitar qualquer equívoco, seria necessário restringir a acepção da palavra alma a uma destas três ideias; a escolha é indiferente, o importante é que todos se entendam, é uma questão de convenção. Acreditamos mais lógico tomá-la na sua acepção mais vulgar; é por isso que chamamos ALMA o ser imaterial e individual que reside em nós e que sobrevive ao corpo. Se este ser não existisse, sendo apenas um produto da imaginação, ainda assim, seria preciso um termo para designá-lo.
Por falta de uma palavra especial para cada uma das duas outras acepções nós chamamos:
Princípio vital o princípio da vida material e orgânica, qualquer que seja sua fonte e que é comum a todos os seres vivos, desde as plantas até o homem. Podendo a vida existir, abstração feita da faculdade de pensar, o princípio vital é uma coisa distinta e independente. A palavra vitalidade não daria a mesma ideia. Para uns, o princípio vital é uma propriedade da matéria, um efeito que se produz quando a matéria se encontra em dadas circunstâncias; segundo outros, e é a ideia mais comum, ele reside num fluido especial, universalmente espalhado e do qual cada ser absorve e assimila uma parte durante a vida, como vemos os corpos inertes absorver a luz; este seria, então, o fluido vital que, segundo algumas opiniões, não seria outro senão o fluido elétrico animalizado, também designado sob os nomes de fluido magnético, fluido nervoso, etc.
Seja como for, há um fato que não se poderia contestar, pois é um resultado de observação, é que os seres orgânicos têm em si uma força íntima que produz o fenômeno da vida, enquanto essa força existe; que a vida material é comum a todos os seres orgânicos e que é independente da inteligência e do pensamento; que a inteligência e o pensamento são faculdades próprias de algumas espécies orgânicas; finalmente, que, entre as espécies orgânicas dotadas de inteligência e de pensamento, há uma dotada de um senso moral especial que lhe dá uma incontestável superioridade sobre os outros, é a espécie humana.
Concebe-se que, com um sentido múltiplo, a alma não exclui o materialismo, nem o panteísmo. O próprio espiritualista pode muito bem entender a alma de acordo com uma ou outra das duas primeiras definições, sem prejuízo do ser imaterial distinto ao qual ele dará, então, um nome qualquer. Assim, esta palavra não representa uma opinião: é um Proteu que cada um acomoda à sua maneira; daí a fonte de intermináveis disputas.
Evitar-se-ia igualmente a confusão, ao empregar a palavra alma nos três casos, se a ela se acrescentasse um qualificativo que especificaria o ponto de vista sob o qual ela é encarada, ou a aplicação que dela se faz. Seria, então, uma palavra genérica, representando, ao mesmo tempo, o princípio da vida material, da inteligência e do senso moral e que se distinguiria, através de um atributo, como os gases, por exemplo, que se distinguem acrescentando as palavras hidrogênio, oxigênio ou azoto. Portanto, poder-se-ia dizer, e talvez fosse o melhor, a alma vital para o princípio da vida material, a alma intelectual para o princípio inteligente, e a alma espírita para o princípio de nossa individualidade após a morte. Como se vê, tudo isso é uma questão de palavras, porém uma questão muito importante para que nos entendamos. Desta forma, a alma vital seria comum a todos os seres orgânicos: plantas, animais e homens; a alma intelectual seria própria dos animais e dos homens; e a alma espírita pertenceria apenas ao homem.
Julgamos necessário insistir um tanto mais nessas explicações porque a Doutrina Espírita repousa, naturalmente, sobre a existência em nós de um ser independente da matéria e que sobrevive ao corpo. Devendo a palavra alma se reproduzir frequentemente no decorrer desta obra, era importante ser fixada no sentido que lhe atribuímos, a fim de evitar qualquer engano.
Passemos, agora, ao objeto principal desta instrução preliminar.


QUESTOES PARA ESTUDO:

1) Que significa a assertiva de Kardec que diz para as coisas novas necessitam-se palavras novas?

2) Há diferencia entre Espiritualismo e Espiritismo?

3) O que o Espiritismo considera como Alma?

4) Qual o seu entendimento  para os conceitos Principio vital e Fluido Vital, acima citado por Kardec.?




CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES

ITEM 1

Diferença entre Espiritismo e Espiritualismo Espiritualismo Doutrina filosófica que admite a existência de Deus e da alma. Contrapõe-se ao Materialismo, que só admite a matéria. Segundo o Materialismo no ser humano só haveria o corpo físico. Até as funções superiores como a memória, o raciocínio, as emoções, os sentimentos poderiam ser reduzidos a simples reações físico-químicas do sistema nervoso, do sangue, das glândulas internas. O Universo seria formado por acaso e seria explicado dentro das leis das ciências exatas (Matemática, Física, Química, Astronomia etc.). Esta é a tese do Materialismo Filosófico, que não deve ser confundido com o Materialismo Pragmático e Hedonista adotado por aquele que, embora se diga até mesmo religioso, só quer mesmo é gozar os prazeres da vida terrena, nem que seja em cima da miséria alheia. Todos os religiosos, como aceitam a Alma e Deus, são, por isto mesmo, espiritualistas. Assim, a pala espiritualista tem significado muito vasto, abrangendo o católico, o protestante, o umbandista, o candomblecista, o israelita ou judeu, o islâmico ou mamometano etc. Espiritismo Doutrina filosófica também espiritualista, mas que se diferencia das outras correntes filosóficas por Ter características bem definidas, a saber: a – concepção tríplice do homem: Espírito – Perispírito – Corpo Físico; b – sobrevivência do Espírito como individualidade; c – continuidade da responsabilidade individual; d – progressividade do Espírito dentro do processo evolutivo em todos os níveis da natureza; e – comunicação mediúnica disciplinada voltada para o esclarecimento e a consolação de encarnados e desencarnados; f – volta do Espírito à matéria (reencarnação) tantas vezes quantas necessárias para alcançar a perfeição relativa a que se destina, não admitindo, no entanto, a metempsicose, ou seja, a volta do Espírito no corpo de animal para pagar dívidas, como aceita o Hinduísmo. Conforme o Espiritismo, o Espírito não retroagrada; g – ausência total de hierarquia sacerdotal; h – abnegação na prática do bem, ou seja, não se dobra nada por esta ou aquela atividade espírita; i – terminologia própria, como por exemplo, perispírito, Lei de Causa e Efeito, médium, Centro Espírita, e nunca corpo astral, karma, Exu, Orixá, "cavalo", "aparelho", "terreiro", "encosto", vocábulos utilizados por outras religiões e que não têm cabimento no meio espírita; j – total ausência de culto material (imagens, altares, roupas especiais, oferendas, velas etc.); l – na prática espírita não há batismo nem culto ou cerimônia para oficializar casamento; m – respeito a todas as demais religiões, embora não incorpore a seu corpo doutrinário os princípios e rituais delas; n – a moral espírita é a moral cristã: "Fazer ao próximo aquilo que dele se deseje".


ITEM 2

A alma

134. Que é a alma?
“Um Espírito encarnado.”

a) Que era a alma antes de se unir ao corpo?
“Espírito.”

b) As almas e os espíritos são, portanto, identicamente, a mesma coisa?
“Sim, as almas são apenas os Espíritos. Antes de se unir ao corpo, a alma é um dos seres inteligentes que povoam o mundo invisível e que revestem, temporariamente, um envoltório carnal, para se purificarem e se esclarecerem.”

135. Há no homem outra coisa além da alma e do corpo?
“Há o elo que une a alma e o corpo.”

a) Qual a natureza desse elo?
“Semimaterial, isto é, intermediária entre o Espírito e o corpo. E é preciso que assim seja, para que eles possam comunicar-se um com o outro. É através desse elo que o Espírito age sobre a matéria e reciprocamente.”

O homem é, assim, formado de três partes essenciais:
1º – O corpo, ou ser material, análogo ao dos animais e animado pelo mesmo princípio vital;
2º – A alma, Espírito encarnado cujo corpo é a habitação;
3º – O princípio intermediário, ou perispírito, substância semimaterial que serve de primeiro envoltório ao Espírito e une a alma ao corpo. Tais são, num fruto, o gérmen, o perisperma e a casca.

136. A alma é independente do princípio vital?
“O corpo é apenas o envoltório, repetimo-lo incessantemente.”

a) O corpo pode existir sem a alma?
“Sim, entretanto, desde que o corpo cesse de viver, a alma o abandona. Antes do nascimento, ainda não há união definitiva entre a alma e o corpo; enquanto que, depois que esta união foi estabelecida, a morte do corpo rompe os laços que o unem à alma e esta o deixa. A vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo privado da vida orgânica.”

b) Que seria o nosso corpo, se não tivesse alma?
“Uma massa de carne sem inteligência, tudo o que quiserdes, exceto um homem.”

137. O mesmo Espírito pode encarnar em dois corpos diferentes, simultaneamente?
“Não, o Espírito é indivisível e não pode animar, ao mesmo tempo, dois seres distintos.” (Ver, em O Livro dos Médiuns, capítulo: Bicorporeidade e Transfiguração)

138. O que se deve pensar da opinião daqueles que veem a alma como o princípio da vida material?
 “É uma questão de palavras; não nos atemos a isso; começai por vos entenderdes a vós próprios.”

139. Alguns Espíritos, e, antes deles, alguns filósofos definiram a alma como: Uma centelha anímica emanada do grande Todo; por que esta contradição?
“Não há contradição; isso depende da acepção das palavras. Por que não tendes uma palavra para cada coisa?”
A palavra alma é empregada para exprimir coisas muito diferentes. Uns a chamam, assim, o princípio da vida e, nessa acepção, é exato dizer, figuradamente, que: a alma é uma centelha anímica emanada do grande Todo. Estas últimas palavras indicam a fonte universal do princípio vital de que cada ser absorve uma porção que, após a morte, retorna à massa da qual saiu. Esta ideia não exclui, absolutamente, a de um ser moral, distinto, independente da matéria e que conserva sua individualidade. É a este ser que, igualmente, se chama alma e é nesta acepção que se pode dizer que a alma é um Espírito encarnado. Dando definições diferentes da alma, os Espíritos falaram de acordo com a aplicação que faziam da palavra e conforme as ideias terrestres das quais ainda estavam mais ou menos imbuídos. Isto se deve à insuficiência da linguagem humana, que não dispõe de uma palavra para cada ideia e daí a origem de uma enormidade de equívocos e de discussões: eis por que os Espíritos superiores nos dizem para nos entendermos, primeiro, com relação às palavras.

140. Que se deve pensar da teoria da alma subdividida em tantas partes quantos são os músculos e presidindo, assim, a cada uma das funções do corpo?
“Isto também depende do sentido que se atribua à palavra alma; têm razão, se a entendem como o fluido vital; se a entendem como Espírito encarnado, enganam-se. Já o dissemos, o Espírito é indivisível; ele transmite o movimento aos órgãos, através do fluido intermediário, sem que para isto se divida.”

a) Todavia, há espíritos que deram esta definição.
“Os espíritos ignorantes podem tomar o efeito pela causa.”

A alma age por intermédio dos órgãos e os órgãos são animados pelo fluido vital, que se reparte entre eles e, mais abundantemente, naqueles que são os centros ou focos do movimento. Porém, esta explicação não pode convir à alma, considerada como sendo o espírito que habita o corpo durante a vida e o deixa por ocasião da morte.

141. Há alguma coisa de verdadeiro na opinião daqueles que pensam que a alma é exterior ao corpo e o circunda?
“A alma não se acha encerrada no corpo, como o pássaro numa gaiola; ela irradia e se manifesta exteriormente, como a luz através de um globo de vidro, ou, como o som, em torno de um centro sonoro; é assim que se pode dizer que ela é exterior, porém, nem por isso constitui o envoltório do corpo. A alma tem dois envoltórios: um, sutil e leve, é o primeiro: aquele que chamas de perispírito; o outro, grosseiro, material e pesado: é o corpo. A alma é o centro de todos estes envoltórios, como o gérmen da planta em um caroço, já dissemos.”

142. O que dizer dessa outra teoria, segundo a qual a alma, na criança, completa-se, a cada período da vida?
 “O Espírito é único; está inteiro na criança, como no adulto; são os órgãos ou instrumentos das manifestações da alma que se desenvolvem e se completam. Ainda aí toma-se o efeito pela causa.”

143. Por que nem todos os Espíritos definem a alma da mesma forma?
“Nem todos os espíritos estão igualmente esclarecidos sobre estes assuntos; há Espíritos ainda limitados, que não compreendem as coisas abstratas; são como as crianças entre vós. Há também Espíritos pseudo-sábios, que fazem ostentação de palavras para se impor: é assim como acontece entre vós. E depois, os próprios Espíritos esclarecidos podem se exprimir em termos diferentes, que, no fundo, têm o mesmo valor, sobretudo quando se trata de coisas que a vossa linguagem é impotente para traduzir com clareza; são necessárias figuras, comparações, que tomais como realidade.”

144. Que se deve entender por alma do mundo?
“É o princípio universal da vida e da inteligência, de onde nascem as individualidades. Mas, os que se servem destas palavras, frequentemente, não se compreendem entre si. A palavra alma é tão elástica que cada um a interpreta ao sabor de seus devaneios. Algumas vezes, tem-se atribuído à Terra uma alma; isto se deve entender como o conjunto dos Espíritos devotados, que dirigem vossas ações para o bom caminho, quando os escutais e que são, de certo modo, os adjuntos de Deus, junto ao vosso globo.”

145. Como tantos filósofos antigos e modernos discutiram, durante tanto tempo, sobre a ciência psicológica, sem terem chegado à verdade?
“Esses homens foram os precursores da eterna Doutrina Espírita; eles prepararam os caminhos. Eram homens, logo, podem ter se enganado, porque tomaram suas próprias ideias pela luz; porém, seus próprios erros servem para fazer realçar a verdade, mostrando o pró e o contra; aliás, entre estes erros encontram-se grandes verdades que um estudo comparativo vos faz compreender.”

146. A alma tem, no corpo, uma sede determinada e circunscrita?
“Não; porém, ela reside mais particularmente na cabeça, nos grandes gênios e em todos aqueles que pensam muito e, no coração, naqueles que sentem muito e cujas ações, todas, referem-se à Humanidade.”

a) O que pensar da opinião daqueles que situam a alma num centro vital?
“Quer dizer que o espírito habita de preferência essa parte do vosso organismo, visto que todas as sensações para ali convergem. Os que a situam naquilo que consideram como o centro da vitalidade, confundem-na com o fluido ou princípio vital. Todavia, pode-se dizer que a sede da alma está, mais particularmente, nos órgãos que servem às manifestações intelectuais e morais.”
Disponível no Livro dos Espíritos.

Estudo da Parte Primeira
Capitulo I - De Deus
Panteísmo

14. Deus é um ser distinto, ou, conforme a opinião de alguns, a resultante de todas as forças e de todas as inteligências do Universo reunidas?
“Se assim fosse, Deus não existiria, pois seria o efeito e não a causa; ele não pode ser, ao mesmo tempo, um e outra.”
“Deus existe, disso não podeis duvidar; é o essencial. Crede-me, não vades além; não vos percais num labirinto de onde não poderíeis sair; isso não vos tornaria melhores, mas, talvez um pouco mais orgulhosos, porque acreditaríeis saber e, na realidade, nada saberíeis. Deixai, portanto, de lado todos estes sistemas; tendes coisas sufi cientes, que vos tocam mais diretamente, a começar por vós mesmos; estudai vossas próprias imperfeições, a fim de vos livrardes delas; isto ser-vos-á mais útil do que querer penetrar no que é impenetrável.”

15. Que se deve pensar da opinião segundo a qual todos os corpos da Natureza, todos os seres, todos os globos do Universo seriam partes da Divindade e constituiriam, em conjunto, a própria Divindade, isto é, da doutrina panteísta?
“O homem, não podendo fazer-se Deus, quer, pelo menos, ser uma parte de Deus.”

16. Aqueles que professam esta doutrina pretendem nela encontrar a demonstração de alguns dos atributos de Deus: sendo infinitos os mundos, Deus é, por isso mesmo, infinito; não havendo o vazio ou o nada em parte alguma, Deus está por toda a parte; estando Deus por toda a parte, visto que tudo é parte integrante de Deus, ele dá a todos os fenômenos da Natureza uma razão de ser inteligente. Que se pode opor a este raciocínio?
“A razão; refleti maduramente e não vos será difícil reconhecer-lhe o absurdo.”

Esta doutrina faz de Deus um ser material que, embora dotado de uma inteligência suprema, seria, em ponto grande, o que somos em ponto pequeno. Ora, se fosse assim, com a matéria transformando-se incessantemente, Deus não teria estabilidade alguma; estaria sujeito a todas as vicissitudes, até mesmo a todas as necessidades da Humanidade; ele careceria de um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade. As propriedades da matéria não podem se aliar à ideia de Deus, sem rebaixá-lo em nosso entendimento, e nenhuma sutileza do sofisma conseguirá resolver o problema de sua natureza íntima. Não sabemos tudo o que ele é, mas sabemos o que ele não pode deixar de ser e este sistema está em contradição com suas propriedades mais essenciais; ele confunde o Criador com a criatura, exatamente como se quisesse que uma máquina engenhosa fosse parte integrante do mecânico que a criou.
A inteligência de Deus se revela nas suas obras, como a de um pintor no seu quadro; mas as obras de Deus não são o próprio Deus, tanto quanto o quadro não é o pintor que o concebeu e executou.

Disponível no Livro dos Espíritos.


Outras informações:









[1] Que é da natureza do espírito.
[2] Partidário ao espiritualismo. Aquele que acredita ter algo além da matéria.
[3] Filosofia religiosa que prega a existência de um ser ou realidade distinto da matéria.
[4] Princípio espiritual do homem, por oposição ao corpo.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Estudo do livro Nosso Lar


PROBLEMA DE ALIMENTAÇÃO


O estudo do capítulo 9 tem como informações gerais:
1) Personagem: André Luiz, Lísias
2) Temas:
·         Respiração e absorção de princípios vitais à atmosfera.
·         Organização do ambiente
Ministérios:
Ø  Elevação
Ø  Esclarecimento;
Ø  Regeneração (recebia alimento)
Ø  União Divina
Ø  Auxílio (recebia alimento)
Ø  Economia

9
“PROBLEMA DE ALIMENTAÇÃO
Enlevado na visão dos jardins prodigiosos, pedi ao dedicado enfermeiro para descansar alguns minutos num banco próximo. Lísias anuiu de bom grado.
Agradável sensação de paz me felicitava o espírito. Caprichosos repuxos de água colorida ziguezagueavam no ar, formando figuras encantadoras.”

Mãe natureza, és bela e formosa em todo e qualquer canto universal! E a paz que transmite?! Só quem tem os olhos de ver consegue senti-la.
Ah! Não se pode esquecer-se da água: água colorida?! Sim. Água colorida. Quem nunca conseguiu apreciar os diferentes contornos formosos realizados por esta benção divina?!

“- Quem observa esta colmeia imensa de serviço - ponderei - é induzido a examinar numerosos problemas. E o abastecimento? Não tenho notícia de um Ministério da Economia...
- Antigamente - explicou o paciente interlocutor - os serviços dessa natureza assumiam feição mais destacada. Deliberou, porém, o atual Governador atenuar todas as expressões de vida que nos recordassem os fenômenos puramente materiais.”

Este capítulo traz explicações detalhadas a respeito de cada unidade assistencial da colônia; e, o primeiro apontamento realizado foi referente ao Ministério da Economia, cujo órgão somente pertence aos planos de quem se encontra encarnado.
 “As atividades de abastecimento ficaram, assim, reduzidas a simples serviço de distribuição, sob o controle direto da Governadoria. Aliás, a providência constitui medida das mais benéficas. Rezam os anais que a colônia, há um século, lutava com extremas dificuldades para adaptar os habitantes às leis da simplicidade. Muitos recém-chegados ao "Nosso Lar" duplicavam exigências. Queriam mesas lautas, bebidas excitantes, dilatando velhos vícios terrenos. Apenas o Ministério da União Divina ficou imune de tais abusos, pelas características que lhe são próprias; no entanto, os demais viviam sobrecarregados de angustiosos problemas dessa ordem.”

Para cada espaço, seja no plano dos desencarnados ou dos encarnados, há um tempo de adequação as normas vigentes da localização onde se começa a fazer parte; e, isso não foi diferente no início da formação de mais uma morada na casa do Pai, ou seja, na colônia conhecida como Nosso Lar.

“O Governador atual, todavia, não poupou esforços. Tão logo assumiu obrigações administrativas, adotou providências justas. Antigos missionários, daqui, puseram-me ao corrente de curiosos acontecimentos. Disseram-me que, a pedido da Governadoria, vieram duzentos instrutores de uma esfera muito elevada, a fim de espalharem novos conhecimentos, relativos à ciência da respiração e da absorção de princípios vitais da atmosfera. Realizaram-se assembleias numerosas. Alguns colaboradores técnicos de "Nosso Lar" manifestavam-se contrários, alegando que a cidade é de transição e que não seria justo, nem possível, desambientar imediatamente os homens desencarnados, mediante exigências desse teor, sem grave perigo para suas organizações espirituais. O Governador, contudo, não desanimou.”

Apesar de tudo, ninguém está desamparado; e, neste caso, por alguém com mais experiência, - que, no caso, o Governador Geral -, destreza e, acima de tudo, com muito amor a fim de saber agir de maneira a não prejudicar os procedimentos organizacionais desta “cidade de transição”; e, isso tudo, foi realizado com o maior desprendimento e sem escusar quaisquer empreendimentos, inclusive solicitar o auxílio de outros irmãos a fim de se manter a ordem e o cumprimento das regras necessárias para evolução e o bem estar de todos os habitantes da morada celestial.

“Prosseguiram as reuniões, providências e atividades, durante trinta anos consecutivos. Algumas entidades eminentes chegaram a formular protestos de caráter público, reclamando. Por mais de dez vezes, o Ministério do Auxílio esteve superlotado de enfermos, onde se confessavam vítimas do novo sistema de alimentação deficiente. Nesses períodos, os opositores da redução multiplicavam acusações. O Governador, porém, jamais castigou alguém. Convocava os adversários da medida a palácio e expunha-lhes, paternalmente, os projetos e finalidades do regime; destacava a superioridade dos métodos de espiritualização, facilitava aos mais rebeldes inimigos do novo processo variadas excursões de estudo, em planos mais elevados que o nosso, ganhando, assim, maior número de adeptos.”

Sem preocupação com o tempo, o administrador geral de Nosso Lar soube gerenciar o ambiente e os irmãos com carinho paternal característico.

“Ante pausa mais longa, reclamei, interessado:
- Continue, por favor, meu caro Lísias. Como terminou a luta edificante?
- Depois de vinte e um anos de perseverantes demonstrações, por parte da Governadoria, aderiu o Ministério da Elevação, passando a abastecer-se apenas do indispensável.”

Com paciência, a ordem e a disciplina foram instauradas permitindo a Governadoria organizar e adequar melhor a necessidade apropriada para cada órgão.

“O mesmo não aconteceu com o Ministério do Esclarecimento, que demorou muito a assumir compromisso, em vista dos numerosos espíritos dedicados às ciências matemáticas, que ali trabalham. Eram eles os mais teimosos adversários. Mecanizados nos processos de proteínas e carboidratos, imprescindíveis aos veículos físicos, não cediam terreno nas concepções correspondentes daqui.”

Apesar de tudo, obstáculos apareceram por parte de alguns irmãos, - ligados, ainda, ao plano material -; contudo, o tempo é um recurso em que a paciência e a serenidade trabalham em conjunto para o bem estar de todos.


“Semanalmente, enviavam ao Governador longas observações e advertências, repletas de análises e numerações, atingindo, por vezes, a imprudência. O velho governante, contudo, nunca agiu por si só. Requisitou assistência de nobres mentores, que nos orientam através do Ministério da União Divina, e jamais deixou o menor boletim de esclarecimento sem exame minucioso. Enquanto argumentavam os cientistas e a Governadoria contemporizava, formaram-se perigosos distúrbios no antigo Departamento de cooperadores do Esclarecimento, os espíritos menos elevados que ali se recolhiam entregaram-se a condenáveis manifestações.”

O que falar deste parágrafo? A União faz a força; e, o amor é a chave  que direciona o melhor caminho para a paz .

 “Tudo isso provocou enormes cisões nos órgãos coletivos de "Nosso Lar", dando ensejo a perigoso assalto das multidões obscuras do Umbral, que tentaram invadir a cidade, aproveitando brechas nos serviços de Regeneração, onde grande número de colaboradores entretinha certo intercâmbio clandestino, em virtude dos vícios de alimentação. Dado o alarme, o Governador não se perturbou. Terríveis ameaças pairavam sobre todos.”

Com a mente desorientada, abriu-se a brecha para que as pedras e os espinhos machucassem todos que estivessem invigilantes.

 “Ele, porém, solicitou audiência ao da União Divina e, depois de ouvir o nosso mais alto Conselho, mandou fechar provisoriamente o Ministério da Comunicação, determinou funcionassem todos os calabouços da Regeneração, para isolamento dos recalcitrantes, advertiu o Ministério do Esclarecimento, cujas impertinências suportou mais de trinta anos consecutivos, proibiu temporariamente os auxílios às regiões inferiores, e, pela primeira vez na sua administração, mandou ligar as baterias elétricas das muralhas da cidade, para emissão de dardos magnéticos a serviço da defesa comum. Não houve combate, nem ofensiva da colônia, mas resistência resoluta. Por mais de seis meses, os serviços de alimentação, em "Nosso Lar", foram reduzidos à inalação de princípios vitais da atmosfera, através da respiração, e água misturada a elementos solares, elétricos e magnéticos.”

Assim como os encarnados, os desencarnados, - sejam eles evoluídos ou não -, recebem auxílio; e, se for necessário procedimentos rígidos para que a ordem e a disciplina se tornem fatores de bem estar para o bem geral de todos os habitantes.

“A colônia ficou, então, sabendo o que vem a ser a indignação do espírito manso e justo. Findo o período mais agudo, a Governadoria estava vitoriosa. O próprio Ministério do Esclarecimento reconheceu o erro e cooperou nos trabalhos de reajustamento. Houve, nesse comenos, regozijo público e dizem que, em meio da alegria geral, o Governador chorou sensibilizado, declarando que a compreensão geral constituía o verdadeiro prêmio ao seu coração. A cidade voltou ao movimento normal. O antigo Departamento da Regeneração foi convertido em Ministério. Desde então, só existe maior suprimento de substâncias alimentícias que lembram a Terra, nos Ministérios da Regeneração e do Auxílio, onde há sempre grande número de necessitados. Nos demais há somente o indispensável, isto é, todo o serviço de alimentação obedece a inexcedível sobriedade. Presentemente, todos reconhecem que a suposta impertinência do Governador representou medida de elevado alcance para nossa libertação espiritual. Reduziu-se a expressão física e surgiu maravilhoso coeficiente de espiritualidade.
Lísias silenciou e eu me entreguei a profundos pensamentos sobre a grande lição.”

A antiga frase “depois da tempestade vem a bonança” retrata o período tumultuoso pelo qual Nosso Lar passou.
De qualquer forma, quem obtém o conhecimento de todos estes momentos consegue apreender que o amor incondicional e a dedicação de um ser consegue destruir muralhas, mesmo que elas sejam a da persistência em continuar com certos hábitos que não são saudáveis ao espírito em evolução.




Leitura Complementar


Textos:
1)

A ILUSÓRIA NUTRIÇÃO DOS ESPÍRITOS
Esse ambiente constitui uma grande esfera fluídica, onde todas as nossas impressões tomam corpo de realidade.
Lá existe, ainda, a nutrição, contudo, o espírito geralmente absorve os elementos, que regeneram sua vitalidade, no próprio oxigênio que respira, em inimagináveis condições de pureza e nas mais delicadas composições químicas da atmosfera.
Alguns seres, aí aportando, necessitam, por força dos arraigados hábitos, de alimentos análogos aos da Terra, o que obtém por algum tempo, mas apenas na aparência de realidade, ilusão esta que é consentânea com as superficialidades do corpo somático, até que se acostumem com as novas modalidades de sua existência.
Livro Cartas de uma Morta - Psicografia Chico Xavier

2)

Alimentação dos desencarnados
— Como se verifica a alimentação dos Espíritos desencarnados?
— Encarecendo a importância da respiração no sustento do corpo espiritual, basta lembrar a hematose no corpo físico, pela qual o intercâmbio gasoso se efetua com segurança, através dos alvéolos, nos quais os gases se transferem do meio exterior para o meio interno e vice versa, atendendo à assimilação e desassimilação de variadas atividades químicas no campo orgânico.
O oxigênio que alcança os tecidos entra em combinação com determinados elementos, dando, em resultado, o anidrido carbônico e a água, com produção de energia destinada à manutenção das províncias somáticas.
Estudando a respiração celular, encontraremos, junto aos próprios arraiais da ciência humana, problemas somente equacionáveis com a ingerência automática do corpo espiritual nas funções do veículo físico, porque os fenômenos que lhe são consequentes se graduam em tantas fases diversas que o fisiologista, sem noções do Espírito, abordá-los-á sempre com a perplexidade de quem atinge o insolúvel.
Sabemos que para a subsistência do corpo físico é imprescindível a constante permuta de substâncias, com incessante transformação de energia.
Substância e energia se conjugam para fornecer ao carro fisiológico os recursos necessários ao crescimento ou à reparação do contínuo desgaste, produzindo a força indispensável à existência e os recursos reguladores do metabolismo.
O alimento comum ao corpo carnal experimenta, de início, a digestão, pela qual os elementos coloidais indifusíveis se transubstanciam em elementos cristalóides difusíveis, convertendo-se ainda as matérias complexas em matérias mais simples, acessíveis à absorção, a que se sucede a circulação dos valores nutrientes, suscetíveis de aproveitamento pelos tecidos, seja em regime de aplicação imediata, seja no de reserva, destinando-se os resíduos à expulsão natural.
A ciência terrena não desconhece que o metabolismo guarda a tendência de manter-se em estabilidade constante, tanto assim que, reconhecidamente, a despesa de oxigênio e o teor de glicemia em jejum revelam quase nenhuma diferença de dia para dia.
É que o corpo espiritual, comandando o corpo físico, sana espontaneamente, quando harmonizado em suas próprias funções, todos os desequilíbrios acidentais nos processos metabólicos, presidindo as reações do campo nutritivo comum.
Não ignoramos, desse modo, que desde a experiência carnal o homem se alimenta muito mais pela respiração, colhendo o alimento de volume simplesmente como recurso complementar de fornecimento plástico e energético, para o setor das calorias necessárias à massa corpórea e à distribuição dos potenciais de força nos variados departamentos orgânicos.
Abandonado o envoltório físico na desencarnação, se o psicossoma está profundamente arraigado às sensações terrestres, sobrevém ao Espírito a necessidade inquietante de prosseguir atrelado ao mundo biológico que lhe é familiar, e, quando não a supera ao preço do próprio esforço, no auto reajustamento, provoca os fenômenos da simbiose psíquica, que o levam a conviver, temporariamente, no halo vital daqueles encarnados com os quais se afine, quando não promove a obsessão espetacular.
Na maioria das vezes, os desencarnados em crise dessa ordem são conduzidos pelos agentes da Bondade Divina aos centros de reeducação do Plano Espiritual, onde encontram alimentação semelhante à da Terra, porém fluídica, recebendo-a em porções adequadas até que se adaptem aos sistemas de sustentação da Esfera Superior, em cujos círculos a tomada de substância é tanto menor e tanto mais leve quanto maior se evidencie o enobrecimento da alma, porquanto, pela difusão cutânea, o corpo espiritual, através de sua extrema porosidade, nutre-se de produtos sutilizados ou sínteses quimioeletromagnéticas, hauridas no reservatório da Natureza e no intercâmbio de raios vitalizantes e reconstituintes do amor com que os seres se sustentam entre si.
Essa alimentação psíquica, por intermédio das projeções magnéticas trocadas entre aqueles que se amam, é muito mais importante que o nutricionista do mundo possa imaginar, de vez que, por ela, se origina a ideal euforia orgânica e mental da personalidade. Daí porque toda criatura tem necessidade de amar e receber amor para que se lhe mantenha o equilíbrio geral.
De qualquer modo, porém, o corpo espiritual, com alguma provisão de substância específica ou simplesmente sem ela, quando já consiga valer-se apenas da difusão cutânea para refazer seus potenciais energéticos, conta com os processos da assimilação e da desassimilação dos recursos que lhe são peculiares, não prescindindo do trabalho de exsudação dos resíduos, pela epiderme ou pelos emunctórios normais, compreendendo-se, no entanto, que pela harmonia de nível, nas operações nutritivas, e pela essencialização dos elementos absorvidos, não existem para o veículo psicossomático, determinados excessos e inconveniências dos sólidos e líquidos da excreta comum.
Uberaba, 16/04/1958
EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS (pelo Espírito André Luiz)

3)

710. Nos mundos em que a organização é mais apurada, os seres vivos têm necessidade de se alimentar?
“Sim, mas seus alimentos correspondem à sua natureza. Esses alimentos não seriam bastante substanciosos para vossos estômagos grosseiros; assim como eles não poderiam digerir os vossos.”
Livro dos Espíritos – Lei da Conservação



Para a passagem deste capítulo, o Evangelho segundo o Espiritismo apresenta a seguinte mensagem:

“A paciência
7. A dor é uma benção que Deus envia a seus leitos, portanto, não vos aflijais quando sofrerdes, ao contrário, bendizei a Deus Todo-Poderoso que vos marcou pela dor aqui neste mundo, para a glória no céu.
Sede pacientes; a paciência também é uma caridade e deveis praticar a lei da caridade ensinada pelo Cristo, enviado por Deus. A caridade que consiste na esmola dada aos pobres é a mais fácil de todas; existe, porém, uma muito mais penosa e bem mais meritória: é a de perdoar aqueles que Deus colocou no nosso caminho, para serem os instrumentos de nosso sofrimento e submeterem à prova a nossa paciência.
A vida é difícil, eu sei; ela se compõe de mil insignificâncias que são como picadas de alfinetes que acabam nos ferindo. É preciso, no entanto, olhar os deveres que nos são impostos e, por outro lado, as compensações e consolações que recebemos, então constataremos que as bênçãos são muito mais numerosas do que as dores.
O fardo que carregamos parece menos pesado, quando olhamos para o alto do que quando curvamos a cabeça para a terra.
Coragem, amigos, o Cristo é vosso modelo; Ele sofreu mais do que qualquer um de vós, e nada fez que pudesse ser reprovado, enquanto que tendes que expiar o vosso passado e vos fortificar para o futuro. Portanto, sede pacientes, sede cristãos; essa palavra resume tudo. (Um espírito amigo. Havre, 1862.)”


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

FRANCO, Divaldo P. O ser consciente. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 3.ed. Rio de Janeiro: Leal, 1996.
KARDEC, Allan. A Gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro da 5. ed. francesa. 48. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.
______. O céu e o inferno ou A Justiça divina segundo o Espiritismo. Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 57. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.
______. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro da 3. ed. francesa rev., corrig. e modif. pelo autor em 1866. 124. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004.
______. O Livro dos Espíritos: princípios da Doutrina Espírita. Trad. de Guillon Ribeiro. 86. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.
LOPES, Lourival. Gotas de esperança. Brasília: Editora Otimismo, 2012.
XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo espírito Emmanuel. Editora FEB, 1941.

_______. Vinha de luz. Pelo espírito Emmanuel. 28.ed. Brasília: FEB, 2015.