quinta-feira, 6 de março de 2014

Capítulo 3
Problemas mentais

Iniciaremos o presente capítulo, recordando a assertiva do instrutor Albério de que «a mente permanece na base de todos os fenômenos mediúnicos».
Assim sendo, evidencia-se e se avulta, sobremodo, a responsabilidade de todos nós, especialmente dos médiuns, nos labores evolutivos de cada dia.
Estudemos, com simplicidade e clareza, o problema mental.
Assim como a ingestão de certos alimentos ou de bebidas alcoólicas ocasiona, fatalmente, a modificação do nosso hálito, alcançando o olfato das pessoas que próximas estiverem, do mesmo modo os nossos pensamentos criam o fenômeno psíquico do «hálito mental>>, equivalente à natureza das forças que emitimos ou assimilamos. Teremos, então, um «hálito mental» desagradável e nocivo ou agradável e benéfico.
O hálito bucal será determinado pelo tipo de alimentação ou de bebida que ingerirmos.
O “hálito mental” será, a seu turno, determinado pelo tipo dos nossos pensamentos.
O nosso ambiente psíquico será, assim, inexoravelmente determinado pelas forças mentais que projetamos através do pensamento, da palavra, da atitude, do ideal que esposamos.
O ambiente psíquico de uma pessoa, de maus hábitos ou de hábitos salutares, será notado, sentido pelos Espíritos e pelos encarnados, quando dotados de vidência ou forem sensitivos.
Ao nos aproximarmos de pessoa encolerizada, ou que conduza no coração, mesmo em silêncio, aflitivas preocupações, notaremos o seu hálito mental», do mesmo modo que notaremos o «hálito bucal» de quem tomou um copo de vinho ou mastigou uma cebola.
*
As ideias são criações do nosso Espírito.
Criações incessantes, ininterruptas, que se projetam no Espaço e no Tempo, adquirindo forma, movimento, direção e tonalidades equivalentes à natureza, superior ou inferior, das ideias criadas.
Um pensamento, que expresse desejos ou objetivos, veiculado poderosamente por nosso Espírito, poderá até ser fotografado.
Poderá, inclusive, ser visto pelos médiuns videntes ou percebido pelos médiuns sensitivos.
O nosso campo mental é, pois, inteiramente devassável pelos Espíritos e até pelos encarnados.
Considerando, por oportuna, a observação de Paulo de Tarso de que «estamos cercados por uma nuvem de testemunhas», somos compelidos a medir e pensar, na balança consciencial, as sérias responsabilidades que decorrem do conhecimento que já temos de tais verdades. Isso porque tais criações determinarão, inevitavelmente, o tipo e o caráter de nossas companhias espirituais, em virtude das vibrações compensadas.
Uma mente invigilante atrairá entidades infelizes, vampirizadoras, porque certos Espíritos profundamente materializados, arraigados, ainda, às paixões inferiores, nutrem-se, alimentam-se dessas substâncias produzidas pela mente irresponsável ou deseducada.
Ser médium é algo de sublime, determinando tacitamente o imperativo da realização interior, a necessidade de o indivíduo conquistar a si mesmo pela superação das qualidades negativas.
Ser médium é investir-se a criatura de sagrada responsabilidade perante Deus e a própria consciência, uma vez que é ser intérprete do pensamento das esferas espirituais, medianeiro entre o Céu e a Terra.
Convenhamos que será muito difícil aos Mensageiros Celestes utilizarem-se, de modo permanente, de companheiros encarnados sem a mais leve noção de responsabilidade, negligentes no cumprimento dos deveres morais, impontuais, inteiramente alheios ao imperativo da própria renovação para o Bem, ou, ainda, inclinados à exploração inferior.
A este respeito, ouçamos a palavra de Emmanuel:
“O perfume conservado no frasco de cristal puro não será o mesmo, quando transportado num vaso guarnecido de lodo.”
Poderão os Bons Espíritos, reconheçamos, comunicar-se algumas vezes.
Poderão transpor barreiras vibratórias e superar obstáculos da mente irresponsável, para estender benefícios aos estropiados do caminho.
Poderão, ainda, extrair notas harmoniosas de mal cuidado instrumento, exaltando, assim, o Poder e a Glória, o Amor e a Sabedoria do Senhor da Vida.
Todavia, cumpre-nos admitir, dificilmente tornarão eles, os Grandes Instrutores, por medianeiro definitivo para as grandes realizações do Cristo o médium que vê, apenas, na sua faculdade, espetaculoso meio de produzir fenômenos, sem finalidade educativa para si e para os outros.
A discriminação e importância do problema mental poderão, talvez, ser melhor entendidas mediante o gráfico organizado para o estudo e análise do tema “criações mentais”:
MENTE — Base de todos os fenômenos mediúnicos = Hálito Mental {Emissão de forças determinadoras do nosso ambiente psíquico. {Ideia = {“Ser”organizado pelo nosso Espírito. = {Pensamento (forma) Vontade (movimento e direção). {Criação, Alimento e Destruição = {de Formas, Situações, Coisas, Paisagens. = {Sublimação do pensamento incorporando tesouros morais e culturais.
Segundo depreendemos do diagrama acima, adaptado de acordo com os conceitos e esclarecimentos do instrutor Albério, o nosso Espírito tem a propriedade de criar formas, situações, coisas e paisagens, sendo-nos facultado, portanto, influenciar, benéfica ou maleficamente, a nós e aos outros.
Tem o nosso Espírito não apenas a faculdade de realizar tais criações.
Tem-na também para dar-lhes vida ou destruí-las.
Os chamados “clichês astrais”, referidos pelos estudiosos da Ciência Espírita, abonam esta informação.
Cenas violentas, tais como assassínios etc., poderão permanecer durante longos anos no cenário da luta, até enquanto as suas personagens lhes derem vida, pela projeção mental.
O ruído dessas lutas pode ser ouvido pelos médiuns audientes.
Quando a luz do esclarecimento felicitar o coração dos protagonistas, os tais clichês astrais, desaparecerão. Deixarão de existir, serão destruídos, porque cessaram as energias que lhes davam vida.
O médium não evangelizado, irresponsável, será, via de regra, um permanente criador de imagens deprimentes, a constituírem verdadeira (ponte magnética), pela qual terão acesso às entidades perturbadoras.
A prática do Evangelho e o conhecimento da Doutrina Espírita, pura e simples, sem qualquer formalidade, sem exorcismos ou aparatos, sem coadjuvantes físicos de qualquer espécie, serão recursos salutares que, instruindo o médium e estendendo-lhe ao coração as noções de fraternidade, transformar-lhe-ão o ambiente psíquico, assegurando-lhe em caráter definitivo, uma série de vantagens, tais como:
a) — Paz interior.
b) — Valiosas amizades espirituais.
c) — Defesa contra a incursão de entidades da sombra.
d) — Crédito de confiança dos Espíritos Superiores.
e) — Iluminação própria.
f) — Outorga de tarefas de maior valia no serviço do Senhor.
Sim, outorga de novos encargos no campo do mediunismo edificante.
Ouçamos, mais uma vez, o pensamento de Emmanuel:
«O sábio não poderá tomar uma criança para confidente, embora a criança, invariavelmente, detenha consigo tesouros de pureza e simplicidade que o sábio desconhece.”
Referindo-se, ainda, à necessidade de o médium estudar e devotar-se ao bem, assegura também o respeitável Espírito:
«A ignorância poderá produzir indiscutíveis e belos fenômenos, mas só a noção de responsabilidade, a consagração sistemática ao progresso de todos, a bondade e o conhecimento conseguem materializar na Terra os monumentos definitivos da felicidade humana.)
Quando o médium se despoja de tudo quanto representa irresponsabilidade, o seu ambiente psíquico se consolida.
O seu hálito mental se exterioriza mediante expressões edificantes e com tonalidades maravilhosas.
É, como, segundo a afirmativa do Divino Amigo, “àquele que mais tem, mais lhe será dado”, o médium sincero e de boa vontade, mesmo que tenha pouca instrução, conseguirá, sem dúvida, iluminado pela fé e pelo amor, sublimar os pensamentos, enriquecendo a mente de tesouros morais e culturais, convertendo-se, por fim, num medianeiro cristão para o serviço de intercâmbio com o Plano Superior.
*
Um Espírito inclinado à perversidade ou à turbulência, incorporando-se num médium espiritualizado, não resistirá ao suave, amoroso e fraterno envolvimento fluídico resultante do próprio estado psíquico do medianeiro, circunstância que, aliada à colaboração amiga do dirigente dos trabalhos e ao socorro dos protetores, facilitará a execução das reais finalidades do serviço mediúnico: levar, ao coração endurecido ou sofredor, o orvalho da bondade e da compreensão.
Quem ama, irradia forças benéficas e irresistíveis, em torno de si, envolvendo, salutarmente, os que dele se acham próximos.
O episódio do lobo de Gúbio, com Francisco de Assis, é expressivo.
Demonstra como a violência e a agressividade se estiolam, inermes, diante do incoercível e ilimitado poder do Amor.
A faculdade de, pelo pensamento, criarmos ideias e de, pela vontade, imprimirmos movimento e direção a tais ideias, abre prodigioso campo de fraternas realizações para a alma humana, encarnada ou desencarnada.
Com o Evangelho no coração e a Doutrina Espírita no entendimento poderemos, sem dúvida, promover o bem-estar, físico e psíquico, de quantos, realmente interessados na própria renovação, se tornarem objeto das nossas criações mentais.
E o que será não menos importante e fundamental: consolidaremos o próprio equilíbrio interior, correspondendo, assim, à confiança daqueles que, na Espiritualidade Mais Alta, aguardam a migalha da nossa boa vontade.


Este capítulo faz referência ao Capítulo sobre Raios, Ondas, Médiuns, Mentes do livro Nos domínios da Mediunidade pelo espírito André Luís e psicografia de Francisco Cândido Xavier

Capítulo 2
Espiritismo e Mediunidade

Que devemos buscar na Mediunidade?
Como devemos considerar os Médiuns?
Que nos podem oferecer o Espiritismo e o Mediunismo?
Essas três singelas perguntas constituem o esboço do presente capítulo.
Em que pese ao extraordinário progresso do Espiritismo, neste seu primeiro século de existência codificada, qualquer observador notará que os seus variegados ângulos ainda não foram integralmente apreendidos, inclusive por companheiros a ele já filiados.
Muitas criaturas, almas generosas e simples, ainda não sabem o que devem e podem buscar na mediunidade.
Outras, guardam um conceito errôneo e perigoso, com relação aos médiuns, situando-os, indevidamente, na posição de santos ou iluminados.
Em resumo, ainda não sabemos, evidentemente, o que o Espiritismo e a prática mediúnica nos podem oferecer.
Há quem deseje, irrefletidamente, buscar nos serviços de intercâmbio entre os dois planos a satisfação de seus interesses imediatistas, relacionados com a vida terrena, como existem os que, endeusando os médiuns, ameaçam-lhes a estabilidade espiritual, com sérios riscos para o Homem e para a Causa.
O Espiritismo não responde por isso.
Nem os Espíritos Superiores.
Nem os Espíritos mais esclarecidos.
Allan Kardec foi, no dizer de Flammarion, “o bom senso encarnado”, O Espiritismo, cuja codificação no plano físico coube ao sábio francês, teria de ser, também, a Doutrina do bom-senso e da lógica, do equilíbrio e da sensatez.
Ele permanecerá como imponente marco de luz, por muitos séculos, aclarando o entendimento de quantos lhe busquem por manancial de esclarecimento e consolação.
Ao invés de cogitar apenas dos problemas materiais, para cuja solução existem, no mundo, numerosas instituições especializadas, cogita o Espiritismo de fixar o roteiro do nosso reajustamento para a Vida Superior.
Reajustamento assim especificado:
a) - Moral
b)— Espiritual
c) — Intelectual
E na definição de André Luiz, “revelação divina para renovação fundamental dos homens”.
Quem se alista nas fileiras do Espiritismo é compelido, naturalmente, a iniciar o processo de sua própria transformação moral.
Não quer mais ser violento ou grosseiro, maledicente ou ingrato, leviano ou infiel.
Deseja, embora tateante, em vista das solicitações inferiores que decorrem, inevitavelmente, do nosso aprisionamento às formas primitivistas evolucionais, subir, devagarinho, os penosos degraus do aperfeiçoamento espiritual, integrando-se, para isso, no trabalho em favor de si mesmo e dos outros.
O Espírita esclarecido considerará o médium como1 um companheiro comum, portador das mesmas responsabilidades e fraquezas que igualmente nos afligem.
Alma humana, falível e pecadora, necessitada de compreensão.
Não o tomará por adivinho, oráculo ou revelador de notícias inadequadas.
Assim sendo, ajudá-lo-á no desempenho dos seus deveres, evitando o elogio que inutiliza as mais belas florações mediúnicas, para estimulá-lo e ampará-lo com a palavra amiga e sincera.
Todo Espírita ganharia muito se lesse, meditando, o capítulo História de um Médium, do livro “Novas Mensagens”, do Espírito de Humberto de Campos.
Como descansariam os médiuns do assédio impiedoso que lhes movem alguns companheiros, deixando-os, assim, livres e desimpedidos para a realização de suas nobres tarefas?
O Espiritista sincero irá compreendendo, pouco a pouco, que o Espiritismo e o Mediunismo lhe podem oferecer ensejo para o sublime “reencontro com o pensamento puro do Cristo, auxiliando-nos a compreensão para mais amplo discernimento da verdade”.
E, através dessa compreensão, saberá reverenciar “o Espiritismo e a Mediunidade como dois altares vivos no templo da fé, através dos quais contemplaremos, de mais alto, a esfera das cogitações propriamente terrestres, compreendendo, por fim, que a glória reservada ao espírito humano é sublime e infinita, no Reino Divino do Universo”.
Com esta superior noção das finalidades da Doutrina Espírita, não mais se farão ouvir, proferidas por companheiros nossos, as três perguntas com que abrimos o presente capítulo:
Que devemos buscar na mediunidade?
Como devemos considerar os médiuns?
Que nos podem oferecer o Espiritismo e o Mediunismo?



Este capítulo faz referência ao Capítulo 1 (Estudando a mediunidade) do livro Nos domínios da Mediunidade pelo espírito André Luís e psicografia de Francisco Cândido Xavier
Mediunidade com Jesus



Em quaisquer setores de atividade humana, é natural cultivemos, nas reentrâncias do coração, o anseio de melhoria e aperfeiçoamento.
O engenheiro que, após intenso labor, obtém o seu diploma, aprimorar-se-á, no estudo e no trabalho, a fim de dignificar a profissão escolhida, convertendo-se em construtor do progresso e do bem-estar geral.
O médico, no contato com o sofrimento e a enfermidade, na cirurgia ou na clínica, ampliará sempre os seus conhecimentos, com vistas à experiência no tempo. E, se honesto e bom, conquistará o respeito do meio onde vive.
O artífice, seja ele mecânico ou carpinteiro, sapateiro ou alfaiate, no humilde labor diuturno, estudando e aprendendo, adquirirá os recursos da técnica especializada, que o tornarão elemento valioso e indispensável no ambiente onde a Divina Bondade o situou.
O advogado, no trato incessante com as leis, identificando-se com a hermenêutica do Direito, compulsando clássicos e modernos, abrirá ao próprio Espírito perspectivas sublimes “para o ingresso à Magistratura respeitável, em cujo Templo, pela aplicação dos corretivos legais, cooperará, eficientemente, com o Senhor da Vida na implantação da Justiça e na sustentação da ordem jurídica.
Se esta ânsia evolutiva se compreende nos labores da vida contingente, cujas necessidades, em sua maioria, virtualmente desaparecem com a cessação da vida orgânica, que dizermos das realizações do Espírito Eterno, das lutas e experiências que continuarão além da Morte, para decidirem, afinal, no mundo espiritual, da felicidade ou da desventura do ser humano?
O quadro evolutivo contemporâneo assemelha-se a um cortejo que se dirige, simultaneamente, a uma necrópole e a um berçário.
Vamos sepultar uma civilização poluída e assistir, jubilosos, à alvorada de luz de um novo Dia.
A Humanidade, procurando destruir os grilhões que ainda a vinculam à Era da Matéria, na qual predominam os sentimentos inferiorizados, apresenta dolorosos sintomas de decomposição, à maneira de um corpo que se esvai, lentamente, a fim de, pelo mistério do renascimento, dar vida a outro ser mais perfeito e formoso.
O médium, como criatura que realiza, também, de modo penoso, a sua marcha redentora, aspirando a melhorar-se e atingir a vanguarda ascensional, ressente-Se, naturalmente, no exercício de sua faculdade, seja ela qual for, deste estado de coisas, revelador da ausência do Evangelho no coração humano.
Os problemas materiais, os instintos ainda falando, bem alto, na intimidade do próprio coração, a inclinação ao personalismo e à vaidade, à prepotência e ao amor próprio, enfim, a condição ainda deficitária de sua individualidade espiritual, concorrem para que o Mais Alto encontre, nesta altura dos tempos, forte obstáculo à livre, plena e espontânea manifestação.
Justo e mesmo necessário será, portanto, que o médium guarde, igualmente, no coração, o desejo de, pelo estudo e pelo trabalho, pelo amor e pela meditação, sobrepor-se ao meio ambiente e escalar, com firmeza e decisão, os degraus da evolução consciente e definitiva, convertendo-se, assim, com redução do tempo, em espiritualizado instrumento das vozes do Senhor.
Esclarecem os instrutores espirituais que é “a mente a base de todos os fenômenos mediúnicos”.
Assimilando, a natureza dos nossos pensamentos, o tipo das nossas aspirações e o nosso sistema de vida, a se expressarem através de atos e palavras, pensamentos e atitudes, determinarão, sem dúvida, a qualidade dos Espíritos que, pela lei das afinidades, serão compelidos a sintonizarem conosco nas tarefas cotidianas e, especialmente, nas práticas mediúnicas.
Não podemos por enquanto, é verdade, desejar uma comunidade realmente cristã, onde todos se entendam, pensem no bem, pelo bem vivam e pelo bem realizem.
Seria, extemporaneamente, a Era do Espírito, realização que pertencerá aos milênios futuros, quando tivermos a presença do Cristo de Deus no próprio coração, convertido em Templo Divino, em condições, por conseguinte, de repetirmos, leal e sinceramente, com o grande bandeirante do Evangelho: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo que vive em mim.” -
Todavia, se é impossível, por agora, a cristianização coletiva da Humanidade do nosso pequenino orbe, Jesus continua falando ao nosso coração, em silêncio, desde o suave episódio da Manjedoura, quando acendeu, nas palhas do estábulo de Belém, a luz da humana redenção.
Cada um de nós terá de construir a própria edificação.
Esta transição inevitável, da Era da Matéria para a Era do Espírito, pode começar a ser efetivada, humildemente, silenciosamente, perseverantemente, no mundo interior de cada criatura.
Comecemos, desde já, o processo de autotransformação.
Este processo renovativo se verificará, indubitavelmente, na base da troca ou substituição de sentimentos.
Modifiquemos os hábitos, aprimoremos os sentimentos, melhoremos o vocabulário, purifiquemos os olhos, exerçamos a fraternidade, amemos e sirvamos, estudemos e aprendamos incessantemente.
Temos que deixar os milenários hábitos que nos cristalizaram os corações, como abandonamos a roupa velha ou o calçado imprestável, que não mais satisfazem os imperativos da decência e da higiene.
A fim de melhor entendermos a base de tais substituições, exemplifiquemos:
ERA DA MATÉRIA = {Ignorância = {questões materiais, questões espirituais. {Opressão = {espiritual, material. {Instintos = {animalidade, ambição.
ERA DO ESPÍRITO = {Conhecimento = {sabedoria humana, sabedoria espiritual. {Fraternidade = {material, espiritual. Renovação = {moralidade, altruísmo.
Vamos sair de uma para outra fase da evolução planetária, impondo-se, portanto, a renovação dos sentimentos. Numa figura mais simples: a substituição do que é ruim, pelo que é bom, do que é negativo, pelo que é positivo, do que degrada, pelo que diviniza.
Antigamente, em época mais recuada, homens e grupos se caracterizavam, total e expressamente, pela ignorância de assuntos espirituais e materiais, pela opressão — material e espiritual — uns sobre os outros, o mais forte sobre o mais fraco e, finalmente, pela absoluta predominância dos instintos.
Oprimia-se moral, econômica e espiritualmente. Sacrificava-se, inclusive, o irmão, em nome do Divino Poder.
O primado da Matéria abrangia todas as formas de vida.
Na fase de transição em que vivemos, tendemos, sem dúvida, para a espiritualização.
Substituiremos as velhas fórmulas da ignorância, da opressão política ou religiosa, moral ou econômica, pelas elevadas noções de fraternidade do Cristianismo.
Os instintos inferiorizados cederão lugar, vencidos e humilhados, aos eternos valores do Espírito Imortal!
Como decorrência natural de tais substituições, a mediunidade, igualmente, sublimar-se-á.
Elevar-se-ão as práticas mediúnicas, porque Espíritos Sublimados sintonizarão com os medianeiros, em definitivo e maravilhoso Pentecostes de Amor e Sabedoria, exaltando a Paz e a Luz.
Quando o conhecimento dos problemas humanos, em seu duplo aspecto — material e espiritual, tornar-se uma realidade em nosso coração, a fenomenologia mediúnica se enriquecerá de novas e incomparáveis expressões de nobreza.
Quando a Fraternidade que ajuda e socorre, que perdoa e consola, substituir a Opressão, que sufoca e constrange, os médiuns serão, na paisagem terrestre, legítimos transformadores de luz espiritual.
O homem será irmão de seu irmão, sua vida será sublime apostolado de ternura e cooperação e o seu verbo a mais encantadora e harmoniosa sinfonia.
Quando nos moralizarmos e nos tornarmos realmente altruístas, superando a animalidade primitivista e a ambição desmedida, nos converteremos em pontes luminosas, através das quais o Céu se ligará a Terra.
Se desejamos sublimar as nossas faculdades mediúnicas, temos que nos educar, transformando o coração em Altar de Fraternidade, onde se abriguem todos os necessitados do caminho.
A Era da Matéria exige-nos conquistas exteriores, ganhos fáceis, prazeres e futilidades, considerações e honrarias. É o imediatismo, convocando-nos à preguiça e à estagnação, ao abismo e ao sofrimento.
A Era do Espírito pede-nos a conquista de nós mesmos, luta incessante, trabalho e responsabilidades. É o futuro, acenando-nos com as suas mãos de luz para a realização de nossos alevantados destinos.
O médium que, intrinsecamente, vive os fatores negativos da Era da Matéria, é operário negligente, cuja ferramenta se enferrujará, será destruída pelas traças ou roubada pelos ladrões, consoante a advertência do Evangelho.
Será, apenas, simples produtor de fenômeno.
O médium, entretanto, que vigia a própria vida, disciplina as emoções, cultiva as virtudes cristãs e oferece ao Senhor, multiplicados, os talentos que por empréstimo lhe foram confiados, estará, no silêncio de suas dores e de seus sacrifícios, preparando o seu caminho de elevação para o Céu.
Estará, sem dúvida, exercendo a “mediunidade com Jesus”...



Este capítulo faz referência ao Capítulo 1 de mesmo nome do livro Nos domínios da Mediunidade pelo espírito André Luís e psicografia de Francisco Cândido Xavier