domingo, 4 de maio de 2014

Conclusão do Capítulo 8– Psicofonia Sonambúlica

1.- Comentar à luz da Doutrina Espírita, as seguintes assertivas:

1a.- "O amigo dementado  penetrou o templo com a supervisão e o consentimento dos mentores da casa."

A explicação acima foi dada por Áulus ante a surpresa de André Luiz com o fato daquele espírito, que se encontrava em elevado grau de desequilíbrio, ter sido encaminhado pelos dirigentes espirituais à Dona Celina, considerada o melhor instrumento mediúnico da casa. Esclareceu o Instrutor que o espírito ali chegara com supervisão e o consentimento dos mentores espirituais presentes, razão por que a médium não correria nenhum risco em acolhê-lo. A reunião narrada neste capítulo destinava-se justamente ao atendimento de espíritos desequilibrados, que seriam tratados com o esclarecimento.


1b.- "Quanto aos fluidos de natureza deletéria, não precisamos temê-los. Recuam instintivamente ante a luz espiritual que os fustiga ou desintegra."

Uma casa espírita que estuda e pratica o Espiritismo com objetivos sérios está sempre envolvida pela proteção dos benfeitores espirituais a serviço de Jesus. Quando se trata de reunião mediúnica de desobsessão, principalmente, os espíritos benfeitores a cercam com uma espécie de barreira vibratória, isolando-a da psicosfera pouco sadia que ainda predomina em nosso Planeta. Essa barreira vibratória visa a impedir que a reunião venha a ser perturbada por espíritos malfazejos, com o fim de impedir que o esclarecimento chegue aos que dele necessitam, tirando-os da situação de desequilíbrio.
Assim, a sintonia com esse tipo de espíritos é inviabilizada, da mesma forma que os fluidos deletérios que dele emanam são diluídos pelos fluidos sadios de que são portadores os benfeitores espirituais. Como esclareceu o Instrutor, ante a luz emanada desses benfeitores, os fluidos deletérios trazidos pelos espíritos desequilibrados que  serão  esclarecidos se desintegra, não vindo a manchar a psicosfera ambiente.


1c.- "É por isso que cada médium possui ambiente próprio e cada assembleia se caracteriza por uma corrente magnética particular de preservação e defesa. Nuvens infecciosas da Terra são diariamente extintas ou combatidas pelas irradiações solares, e formações fluídicas, inquietantes, a todo momento são aniquiladas ou varridas do Planeta pelas energias superiores do Espírito. Os raios luminosos da mente orientada para o bem incidem sobre as construções do mal, à feição de descargas elétricas."

Como ensina o Espiritismo, o espírito é um ser individualizado, que possui vibrações próprias, cuja natureza vai depender de seu estado evolutivo. Assim, cada um de nós formamos uma psicosfera à nossa volta resultante de nossas qualidades já adquiridas e das imperfeições das quais não logramos ainda nos despojar. Uma assembléia mediúnica, como acentua Kardec, é o resultado do teor vibratório emanado de cada um de seus componentes. Por sua vez, quando se trata de uma reunião séria e com fins nobres de auxílio aos necessitados, o plano espiritual superior, através dos mentores responsáveis pelo trabalho, atua no sentido de purificar o ambiente espiritual do local, impedindo a atuação de entidades perturbadoras.
 No mesmo sentido, os espíritos encarregados do controle das forças da natureza, com suas irradiações positivas, à semelhança dos mentores das assembleias mediúnicas, promovem, em escala muito mais ampla, a limpeza ambiental do Planeta, de que nos fala Áulus, eliminando os miasmas produzidos pelas baixas vibrações daqueles  que ainda permanecem em estado de sofrimento. Como a luz que dissipa a escuridão e “... à feição de descargas elétricas", essa energia superior faz desintegrar esses miasmas deletérios que pairam sobre o solo terreno.


1d.- "O sonambulismo puro, quando em mãos desavisadas, pode produzir belos fenômenos, mas é menos útil na construção espiritual do bem. A psicofonia inconsciente, naqueles que não possuem méritos morais suficientes  própria  defesa,  pode levar à possessão, sempre nociva, e que, por isso, apenas se evidencia integral  nos obsessos que  se  renderam  às  forças vampirizantes."

A mediunidade, qualquer que seja a modalidade com se apresente, não é boa nem má. É neutra. Dependendo da maneira como é exercida, pode ser motivo de adiantamento ou de queda para o espírito. Por essa razão, Allan Kardec sempre recomendou aos médiuns que se aprimorassem nos estudo da prática mediúnica e, principalmente, na sua moralização.
Como temos estudado nos capítulos anteriores, a sintonia é o fator determinante da qualidade da mensagem a ser obtida, daí a importância da necessidade do médium manter um comportamento consoante às leis naturais.
 No caso da mediunidade que se manifesta em estado sonambúlico, a falta de moralidade do medianeiro pode ter um resultado ainda mais desastroso, pois o médium entrega o equipamento mediúnico ao espírito. Como única maneira de influenciar a comunicação, resta a sua ascendência moral, pois, embora desprendido do corpo e sem poder de atuação sobre ele, o médium permanece presente em espírito e, sendo evolutivamente superior ao comunicante,  a natural hierarquia moral que vige no mundo espiritual permite alguma vigilância quanto ao uso do aparelho mediúnico.


2.- Como se dá a psicofonia de Dona Celina? Qual a diferença entre a psicofonia de Celina e de Eugênia?

Conforme explicou o mentor Áulus, a mediunidade  psicofônica  de  Celina  se  manifestava  em  estado  sonambúlico, estado de emancipação em que o espírito deixa o corpo e passa a vivenciar a vida espiritual. É um desligamento mais profundo do que o ocorrido durante o sono comum. Nesta circunstância, o comunicante se apossa do organismo físico do médium e dele se utiliza como se fosse seu, sem que aconteça qualquer tipo de "filtragem" no conteúdo da mensagem, como normalmente ocorre. O espírito comunicante utiliza o instrumento mediúnico livremente, sem se ligar ao cérebro do médium, expressando-se independentemente de sua intervenção.
 Eugênia, por sua vez, é médium psicofônica comum, ou seja, sua mediunidade consiste em ceder os órgãos da fala ao comunicante, sem, todavia, se desligar do corpo físico, permanecendo em vigília. A comunicação passa pelo cérebro do médium, que, dependendo do grau de educação mediúnica que já tenha alcançado, pode exercer um controle maior ou menor sobre o seu conteúdo. A diferença fundamental entre uma e outra modalidade de mediunidade é que, na psicofonia simples, como ocorreu com Eugênia, o médium exerce um controle maior sobre o espírito comunicante. Sob o estado sonambúlico, como no caso de Celina, o médium perde o poder de atuar sobre o espírito, pois se afasta de seu carro físico, sem deixar, todavia, de influenciá-lo com sua ascendência moral, quando esta existe, como na hipótese em estudo.


3.- O que é psicofonia sonambúlica?

A psicofonia é um tipo de mediunidade em que o espírito comunicante se utiliza dos órgãos físicos do médium ligados aos centros de força responsáveis pela fala, exteriorizando, através da palavra, o seu pensamento.  A psicofonia sonambúlica, como vimos, é aquela que se dá com o médium em estado de sonambulismo. Emancipado de seu corpo físico por efeito desse estado, médium dele se afasta, permitindo que o comunicante se apodere e o utilize como se nele estivesse encarnado.
Relembrando, podemos resumir o sonambulismo como um estado de emancipação do espírito em que o desprendimento do corpo físico se dá em maior amplitude do que normalmente ocorre durante o sono. O espírito se liberta temporariamente do corpo físico, assumindo todas as suas faculdades, sem as restrições impostas pela matéria. Seu corpo se torna um objeto inteiramente afastado do espírito. Pode se dar naturalmente ou ser provocado pela ação do magnetismo. Em ambos os casos, contudo, tem-se o mesmo efeito.


Equipe Nosso Lar - CVDEE
eqpnl@cvdee.org.br



Livro em estudo: Nos domínios da mediunidade
Tema: Capítulo 8 – Psicofonia Sonambúlica

Sob a guarda de venerando amigo, que mais se nos afigurava um nume apostolar, pobre Espírito dementado varou o recinto. Lembrava um fidalgo antigo, repentinamente arrancado ao subsolo, porque os fluidos que o revestiam era verdadeira massa escura e viscosa, cobrindo-lhe a roupagem e despedindo nauseabundas emanações.
Nenhuma das entidades sofredoras que se acotovelavam à frente exibia tão horrenda fácies. Aqui e ali, nos variados semblantes a se comprimirem no lugar reservado a irmãos menos felizes, as máscaras de sofrimento eram suavizadas por sinais inequívocos de arrependimento, fé, humildade, esperança...
Mas naquele rosto patibular, parecendo emergir dum lençol de lama, aliavam-se a frieza e a malignidade, a astúcia e o endurecimento. Ante a expressão com que surgia de inopino, os próprios Espíritos perturbados recuaram receosos. Na destra, o estranho recém-chegado trazia um azorrague que tentava estalar, ao mesmo tempo em que proferia estrepitosas exclamações.
— Quem me faz chegar até aqui, contra a minha vontade? — bramia, semi-afônico. — Covardes! Por que me segregarem assim? Onde estão os abutres que me devoraram os olhos? Infames! Pagar-me-ão caro os ultrajes sofridos!...
E evidenciando o extremo desequilíbrio mental de que se fazia portador, continuava em rude tom de voz:
— Quem disse que a malfadada revolução dos franceses terá reflexos no Brasil? A loucura de um povo não pode alastrar-se a toda a Terra... Os privilégios dos nobres são invioláveis! Vêm dos reis, que são indiscutivelmente os escolhidos de Deus! Defenderemos nossas prerrogativas, exterminando a propaganda dos rebeldes e regicidas! Venderei meus escravos alfabetizados, nada de panfletos e comentários da rebelião. Como produzir sem o chicote no lombo? Cativos são cativos, senhores são senhores. E todos os fujões e criminosos conhecerão o peso dos meus braços... Matarei sem piedade. Cinco troncos de suplício! Cinco troncos! Eis aquilo de que necessito para refazer a nossa tranquilidade.
— Foi um fazendeiro desumano — esclareceu nosso orientador amigo. — Desencarnou nos últimos dias do Século XVIII, mas ainda conserva a mente estagnada na concha do próprio egoísmo. Nada percebe, por enquanto, senão os quadros interiores, criados por ele mesmo, constando de escravos, dinheiro e lucros da antiga propriedade rural em que enterrou o pensamento, convertendo-se hoje em vampiro inconsciente de almas reencarnadas que lhe foram queridas no Brasil colonial. Com todo o respeito que devemos à fraternidade, podemos dizer que ele nada mais fora que desapiedado algoz dos infortunados cativos que lhe caíam sob o guante de ferro. Detentor de vastíssimo latifúndio, possuía consigo larga legião de servidores que lhe conheceram, de perto, a tirania e a perversidade.
Valendo-me da pausa espontânea, fitei o rosto do triste recém-chegado, com mais atenção, reconhecendo que os seus olhos, embora móveis quanto os de um felino, estavam vidrados, mortos...
Ia apontar para aquelas órbitas inexpressivas, quando o instrutor, adivinhando-me o impulso, acrescentou:
— Odiava os trabalhadores que lhe fugiam às garras e quando conseguia arrebatá-los ao quilombo, não somente os algemava aos troncos de martírio, mas queimava-lhes os olhos, reduzindo-os à cegueira, para escarmento das senzalas. Alguns dos raros quilombolas que resistiam à morte eram sentenciados, depois de cegos, às mandíbulas de cães bravios, de cuja sanha não conseguiam escapar. Com semelhante sistema de repressão, instalou o terror em derredor dos seus passos, granjeando, então, fama e riqueza. Contudo, veio a jornada inevitável do túmulo e, nessa fase nova, não encontrou senão desafetos, a se levantarem, junto dele, na feição de temíveis perseguidores. Muitas vítimas de alma branda lhe haviam desculpado as ofensas, mas outras não conseguiram a força para o perdão espontâneo e converteram-se em vingadores do passado a lhe cumularem o espírito de aflitivo pavor. Emaranhado nas teias da usura e fazendo do ouro o único poder em que acreditava, nem de leve se sentiu transportado de um modo de vida para outro, através da morte. Crê-se num cárcere de trevas, atormentado pelos escravos, prisioneiro das próprias vítimas. Vive, assim, entre a desesperação e o remorso. Martirizado pelas reminiscências das flagelações que decretava e hipnotizado pelos algozes de agora, dos quais no pretérito foi verdugo, vê-se reduzido a extrema cegueira, por se lhe desequilibrarem no corpo espiritual as faculdades da visão.
Enquanto se nos alongava o entendimento, o infeliz foi situado junto de Dona Celina. A medida impressionou-me desfavoravelmente.
Logo Dona Celina, o melhor instrumento da casa, é quem deveria acolher o indesejável comunicante? Reparei-lhe a luminosa auréola, contrastando com a vestimenta pestilencial do forasteiro, e deixei-me avassalar por incoercível temor. Semelhante providência não seria o mesmo que entregar uma harpa delicada às patas de uma fera?
Áulus, porém, deu-se pressa em explicar-nos:
— Acalmem-se, O amigo dementado penetrou o templo com a supervisão e o consentimento dos mentores da casa. Quanto aos fluidos de natureza deletéria, não precisamos temê-los. Recuam instintivamente ante a luz espiritual que os fustiga ou desintegra. É por isso que cada médium possui ambiente próprio e cada assembleia se caracteriza por uma corrente magnética particular de preservação e defesa. Nuvens infecciosas da Terra são diariamente extintas ou combatidas pelas irradiações solares, e formações fluídicas, inquietantes, a todo momento são aniquiladas ou varridas do Planeta pelas energias superiores do Espírito. Os raios luminosos da mente orientada para o bem incidem sobre as construções do mal, à feição de descargas elétricas.
E, compreendendo-se que mais ajuda aquele que mais pode, nossa irmã Celina é a companheira ideal para o auxílio desta hora. Indicando-a, exclamou:
— Observemos. A médium desvencilhou-se do corpo físico, como alguém que se entregava a sono profundo, e conduziu consigo a aura brilhante de que se coroava.
Clementino não teve necessidade de socorrê-la. Parecia afeita àquele gênero de tarefa. Ainda assim, o condutor do grupo amparou-a, solícito. A nobre senhora fitou o desesperado visitante com manifesta simpatia e abriu-lhe os braços, auxiliando-o a senhorear o veículo físico, então em sombra. Qual se fora atraído por vigoroso ímã, o sofredor arrojou-se sobre a organização física da médium, colando-se a ela, instintivamente.
Auxiliado pelo guardião que o trazia, sentou-se com dificuldade, afigurando-se-me intensivamente ligado ao cérebro mediúnico. Se Eugênia revelara-se benemérita enfermeira, Dona Celina surgia aos nossos olhos por abnegada mãezinha, tal a devoção afetiva para com o hóspede infortunado. Dela partiam fios brilhantes a envolvê-lo inteiramente e o recém-chegado, em vista disso, não obstante senhor de si, demonstrava-se criteriosamente controlado. Assemelhava-se a um peixe em furiosa reação, entre os estreitos limites de um recipiente que, em vão, procurava dilacerar. Projetava de si estiletes de treva, que se fundiam na luz com que Celina-alma o rodeava, dedicada. Tentava gritar impropérios, mas debalde. A médium era um instrumento passivo no exterior, entretanto, nas profundezas do ser, mostrava as qualidades morais positivas que lhe eram conquista inalienável, impedindo aquele irmão de qualquer manifestação menos digna.
— Eu sou José Maria... — clamava o visitante, irritadíssimo, enfileirando outros nomes com o evidente intuito de lançar importância sobre a sua origem.
Amontoava reclamações, deitava reprimendas e revoltava-se exasperado, contudo, percebi que não usava palavras semelhantes às que proferira junto de nós. Achava-se como que manietado, vencido, embora prosseguisse rude e áspero.
Aparecia tão completamente implantado na organização fisiológica da medianeira, tão espontâneo e tão natural, que não sopitei as perguntas a me escorrerem céleres do pensamento. A mediunidade falante em Celina era diversa? Eugênia e ela se haviam desligado da veste carnal, durante o trabalho...
Por que a primeira se mantivera preocupada, qual enfermeira inquieta, enquanto que a segunda parecia devotada tutora do irmão dementado, seguindo-o com cuidados de mãe? Por que numa delas a expectação atormentada e na outra a serena confiança?
Desculpando-nos a condição de aprendizes, Áulus passou a esclarecer-nos, enquanto Clementino e Raul Silva amparavam o comunicante, através de orações e frases renovadoras de incentivo ao bem.
— Celina — explicou, bondoso — é sonâmbula perfeita. A psicofonia, em seu caso, se processa sem necessidade de ligação da corrente nervosa do cérebro mediúnico à mente do hóspede que o ocupa. A espontaneidade dela é tamanha na cessão de seus recursos às entidades necessitadas de socorro e carinho, que não tem qualquer dificuldade para desligar-se de maneira automática do campo sensório, perdendo provisoriamente o contato com os centros motores da vida cerebral. Sua posição medianímica é de extrema passividade. Por isso mesmo, revela-se o comunicante mais seguro de si, na exteriorização da própria personalidade. Isso, porém, não indica que a nossa irmã deva estar ausente ou irresponsável. Junto do corpo que lhe pertence, age na condição de mãe generosa, auxiliando o sofredor que por ela se exprime qual se fora frágil protegido de sua bondade. Atraiu-o a si, exercendo um sacrifício voluntário, que lhe é doce ao coração fraterno, e José Maria, desvairado e desditoso, imensamente inferior a ela, não lhe pôde resistir. Permanece, assim, agressivo tanto quanto é, mas vê-se controlado em suas menores expressões, porque a mente superior subordina na que se lhe situam à retaguarda, nos domínios do espírito. É por essa razão que o hóspede experimenta com rigor o domínio afetuoso da missionária que lhe dispensa amparo assistencial. Impelido a obedecer-lhe, recebe-lhe as energias mentais constringentes que o obrigam a sustentar-se em respeitosa atitude, não obstante revoltado como se encontra.
Diante da pausa que se fazia natural, reparamos que Silva conseguia franco progresso na doutrinação. O ex-tirano rural começava a assimilar algumas réstias de luz. Hilário, contudo, provocou a continuidade da lição, perguntando:
— Embora seja preciosa auxiliar, como vemos, não se lembrará Dona Celina das palavras que o visitante pronuncia por seu intermédio?
— Se quiser, poderá recordá-las com esforço, mas na situação em que se reconhece, não vê qualquer vantagem na retenção dos apontamentos que ouve.
— Indubitavelmente — ponderou meu colega — observamos singular diferença entre as duas médiuns que caíram em transe... Tenho a ideia de que, na psicofonia consciente, Dona Eugênia exercia um controle mais direto sobre o hóspede que lhe utilizava os recursos, ao passo que Dona Celina, embora vigiando o companheiro que se comunica, deixa-o mais à vontade, mais livre... Caso não fosse Dona Celina a trabalhadora hábil, capaz de intervir a tempo, em qualquer circunstância menos agradável, não seria de preferir as faculdades de Dona Eugênia?
— Sim, Hilário, você tem razão, O sonambulismo puro, quando em mãos desavisadas, pode produzir belos fenômenos, mas é menos útil na construção espiritual do bem. A psicofonia inconsciente, naqueles que não possuem méritos morais suficientes à própria defesa, pode levar à possessão, sempre nociva, e que, por isso, apenas se evidencia integral nos obsessos que se renderam às forças vampirizantes.
Hilário refletiu um momento e tornou a considerar:
— Aqui, vemos a médium fora do vaso físico, dominando mentalmente a entidade que lhe é inferior... Mas... e se fosse o contrário? Se tivéssemos aqui uma entidade intelectualmente superior senhoreando mentalmente a médium?
— Nesse caso — redarguiu o paciente interlocutor —, Celina seria naturalmente controlada. Se o comunicante fosse, nessa hipótese, uma inteligência degenerada e perversa, a fiscalização correria por conta dos mentores da casa e, em se tratando de um mensageiro com elevado patrimônio de conhecimento e virtude, a médium apassivar-se-ia com satisfação, porquanto lhe aproveitaria as vantagens da presença, tal como o rio se beneficia com as chuvas que caem do alto.
O instrutor ia continuar, mas Clementino solicitou-lhe o concurso para a remoção de José Maria que, algo renovado, principiava a aceitar o serviço da prece, chegando mesmo a atingir a felicidade de chorar.
Nosso orientador passou a contribuir na assistência ao visitante, que foi novamente entregue ao amigo paternal que o trazia, a fim de internar-se em organização socorrista distante.

Questões para estudo:

01) Comentar à luz da DE, as seguintes assertivas:

01 a) O amigo dementado  penetrou o templo com a supervisão e o consentimento dos mentores da casa.

01 b) Quanto aos fluidos de natureza deletéria, não precisamos temê-los. Recuam instintivamente ante a luz espiritual que os fustiga ou desintegra.

01 c) É por isso que cada médium possui ambiente próprio e cada assembléia se caracteriza por uma corrente magnética particular de preservação e defesa. Nuvens infecciosas da Terra são diariamente extintas ou combatidas pelas irradiações solares, e formações fluídicas, inquietantes, a todo momento são aniquiladas ou varridas do Planeta pelas energias superiores do Espírito. Os raios luminosos da mente orientada para o bem incidem sobre as construções do mal, à feição de descargas elétricas.

01 d) O sonambulismo puro, quando em mãos desavisadas, pode produzir belos fenômenos, mas é menos útil na construção espiritual do bem. A psicofonia inconsciente, naqueles que não possuem méritos morais suficientes à própria defesa, pode levar à possessao, sempre nociva, e que, por isso, apenas se evidencia integral nos obsessos que se renderam às forças vampirizantes.


02) Como se dá a psicofonia de Dona Celina? Qual a diferença entre a psicofonia de Celina e de Eugênia?


03) O que é psicofonia sonambúlica?



Questões extraídas do site www.cvdee.org.br
Conclusão do Capítulo 7 – Socorro Espiritual

1 - Além da dedicação do guia espiritual Clementino, o que foi determinante em Raul para que Libórnio pudesse amenizar seu comportamento?
A sincera compaixão e o interesse fraternal. Estes são elementos fundamentais no auxílio a qualquer espírito - encarnado ou desencarnado - que esteja passando por momentos de sofrimento e dor. Aos dirigentes e esclarecedores nas reuniões mediúnicas, então, tornam-se imprescindíveis. A compaixão - entendida aqui como empatia, proximidade, verdadeiro exercício do amor ao próximo - permite uma aproximação e um entendimento mais amplo da dor do outro (mesmo quando esta dor se expressa em palavras rudes de revolta, como no caso de Libório). O interesse é o passo inicial para a atençao, que por sua vez é o requisito para estabelicimento da sintonia. Prestar atenção ao outro, com interesse real, ouvi-lo expressar-se, deixar que destile sua mágoa ou dor, é colaborar grandemente.

2 - Qual foi o elemento principal para que as palavras "Libórnio, meu irmão!", usadas por Raul, levasse Libórnio ao pranto?
Mais que as palavras, o importante é o sentimento que as gerou e que faz com que sejam carregadas de energia positiva. É fácil dizer "meu irmão", mas é difícil sentir verdadeiramente isto por um quase desconhecido. Apenas o exercício constante, metódico e disciplinado da fraternidade legítima, pode produzir os resultados alcançados por Raul.

3 - Que procedimento deve ter um doutrinador diante de um comportamento rebelde de um irmão obsessor?
Não só os doutrinadores - preferimos o termo "esclarecedores" - mas qualquer é um de nós, devemos compreender que a rebeldia - geralmente expressa através de palavras grosseiras, violentas - esconde uma dor profunda, uma mágoa intensa, uma insatisfação grande, às vezes consigo mesmo. Entender isso é o primeiro passo para a compreensão, e a compreensão (que não deve ser confundida com aceitação) é o procedimento correto diante de um comportamento rebelde.

4 - Podemos afirmar que Libórnio praticou o suicídio, como foi suposto pelos que acharam seu corpo inerte? Justifique.
Sim, suicídio indireto, ou para usarmos o termo usado pelos espíritos da codificação (O Livro dos Espíritos, questão 952, à qual remetemos os colegas de estudo), um suicídio moral. Lembremos que o próprio André Luiz foi categorizado como suicida. Naturalmente, as consequências deste tipo de suicídio não se comparam com as do suicídio direto já que não há a “intenção” de se matar, e os espíritos (LE 954) afirmam que não há culpabilidade quando não há intenção ou a consciência positiva de se fazer o mal. A responsabilidade é pelo mal uso do corpo físico, pelo desgaste prematuro das energias orgânicas, pelo comportamento autodestrutivo.

5 - Que máquina foi utilizada por Clementino, com a ajuda de Raul, para que Libórnio tomasse conhecimento de seus últimos momentos da sua vida material? De que forma ela funciona?
O aparelho foi denominado por Áulus como sendo um "condensador ectoplasmático", ou seja, condensa (torna mais denso, mais "material") o ectoplasma (que é a energia emitida pelos componentes encarnados da reunião, energia essa ainda em estudo). Os nomes variam (Áulus, por exemplo, também o chama de "raios de força"), mas o que obtemos do estudo de vários textos é que o ectoplasma é uma energia típica dos seres orgânicos, mais ou menos abundantemente nos encarnados, e que, manipulada pelos espíritos técnicos do assunto, é usada principalmente em fenômenos de efeitos físicos. No caso em estudo, o ectoplasma foi usado para "materializar" o pensamento de Libório, a fim de refletir a projeção de suas lembranças. O aparelho funcionou à semelhança das telas de cinema, que recebem a projeção de luz dos filmes. Atentemos de que, induzido por Raul, é o próprio Libório que projeta seu conteúdo, que estava "oculto" ou "adormecido" em seu inconsciente, como mecanismo de defesa psicológica.

6 - Qual é o fator importante para o êxito do seu funcionamento? Por quê?
Embora o ectoplasma seja uma energia "física", ela é extremamente sutil e sofre enorme influência do estado mental, físico e psicológico daquele que a irradia. Isto significa que os pensamentos aumentam ou diminuem a "qualidade" do material ectoplasmático emitido. Assim, a harmonia de pensamento da equipe de encarnados, bem como a exteriorização de seus sentimentos e comportamentos influencia no funcionamento do aparelho. Continuando a analogia da questão anterior, sentimentos menos dignos, vícios, falta de harmonia atuam como se a tela de cinema apresentasse furos, manchas, rasgos, movimentos aleatórios, que prejudicassem a projeção do filme.


Uma tarde paz e amor
abraços com carinho no coração
Equipe Nosso Lar - CVDEE

eqpnl@cvdee.org.br 
Livro em estudo: Nos domínios da mediunidade
Tema: Capítulo 7 – Socorro Espiritual

Sob a influência de Clementino, que o envolvia inteiramente, Silva levantara-se e dirigia-se ao comunicante com bondade:
— Meu amigo, tenhamos calma e roguemos o amparo divino!
— Estou doente, desesperado...
— Sim, todos somos enfermos, mas não nos cabe perder a confiança. Somos filhos de Nosso Pai Celestial que é sempre pródigo de amor.
— É padre?
— Não. Sou seu irmão.
— Mentira. Nem o conheço...
— Somos uma só família, à frente de Deus.
O interlocutor conturbado riu-se irônico e acentuou:
— Deve ser algum sacerdote fanatizado para conversar nestes termos!..
A paciência do doutrinador sensibilizava-nos. Não recebia Libório, qual se fora defrontado por um habitante das sombras, suscetível de acordar-lhe qualquer impulso de curiosidade menos digna. Ainda mesmo descontando o valioso concurso do mentor que o acompanhava, Raul emitia de si mesmo sincera compaixão de mistura com inequívoco interesse paternal. Acolhia o hóspede sem estranheza ou irritação, como se o fizesse a um familiar que regressasse demente ao santuário doméstico. Talvez por essa razão o obsessor a seu turno se revelava menos agastadiço. Tão logo passou a entender-se, de algum modo, com o dirigente da casa, observamos que Eugênia se revigorava no esforço assistencial que lhe competia.
— Não sou um ministro religioso — continuava Raul, imperturbável —, mas desejo me aceite como seu amigo.
— Que irrisão! Não existem amigos quando a miséria está conosco... Dos companheiros que conheci, todos me abandonaram. Resta-me apenas Sara! Sara, que não deixarei...
Fixou a expressão de quem se detinha na lembrança da pessoa a quem se referira e acrescentou com recalcada indignação:
— Ignoro por que me entravam agora os passos. É inútil. Aliás, não sei a razão pela qual me contenho. Um homem provocado, qual me vejo, decerto deveria esbofeteá-los a todos... Afinal, que fazem aqui estes cavalheiros silenciosos e estas mulheres mudas? Que pretendem de mim?
— Estamos em prece por sua paz — falou Silva, com inflexão de bondade e carinho.
— Grande novidade! Que há de comum entre nós? Devo-lhes algo?
— Pelo contrário — exclamou o interlocutor, convicto —, nós somos quem lhe deve atenção e assistência. Estamos numa instituição de serviço fraterno e é fora de dúvida que, num hospital, a ninguém será lícito inquirir da luta particular daqueles que lhe batem à porta, porque, antes de tudo, é dever da medicina e da enfermagem a prestação de socorro às feridas que sangram.
Ante o argumento enunciado com sinceridade e simpleza, o renitente sofredor pareceu apaziguar-se ainda mais. Jatos de energia mental, partidos de Silva, alcançavam-no agora em cheio, no tórax, como a lhe buscarem o coração. Libório tentou falar, contudo, à maneira de um viajante que já não pode resistir à aridez do deserto, comoveu-se diante da ternura daquele inesperado acolhimento, a surgir-lhe por abençoada fonte de água fresca. Surpreendido, notou que a palavra lhe falecia embargada na garganta.
Sob o sábio comando de Clementino, falou o doutrinador com afetividade ardente:
— Libório, meu irmão!
Essas três palavras foram pronunciadas com tamanha inflexão de generosidade fraternal que o hóspede não pôde sopitar o pranto que lhe subia do âmago.
Raul avançou para ele, impondo-lhe as mãos, das quais jorrava luminoso fluxo magnético, e convidou:
— Vamos orar!
Findo um minuto de silêncio, a voz do diretor da casa, sob a inspiração de Clementino, suplicou enternecidamente:
— Divino Mestre, lança compassivo olhar sobre a nossa família aqui reunida... Viajores de muitas romagens, repousamos neste instante sob a árvore bendita da prece e te imploramos amparo! Todos somos endividados para contigo, todos nos achamos empenhados à tua bondade infinita, à maneira de servos insolventes para com o senhor. Mas, rogando-te por nós todos, pedimos particularmente agora pelo companheiro que, decerto, encaminhas ao nosso coração, qual se fora uma ovelha que torna ao aprisco ou um irmão consanguíneo que volta ao Lar. Mestre, dá-nos a alegria de recebê-lo de braços abertos. Sela-nos os lábios para que lhe não perguntemos de onde vem e descerra-nos a alma para a ventura de tê-lo conosco em paz. Inspira-nos a palavra a fim de que a imprudência não se imiscua em nossa língua, aprofundando as chagas interiores do irmão, e ajuda-nos a sustentar o respeito que lhe devemos... Senhor, estamos certos de que o acaso não te preside às determinações! Teu amor, que nos reserva invariavelmente o melhor, cada dia, aproxima-nos uns dos outros para o trabalho justo. Nossas almas são fios da vida em tuas mãos! Ajusta-os para que obtenhamos do Alto o favor de servir contigo! Nosso Libório é mais um irmão que chega de longe, de recuados horizontes do passado... Ó Senhor, auxilia-nos para que ele não nos encontre proferindo o teu nome em vão!...
O visitante chorava. Via-se, porém, com clareza, que não eram as palavras a força que o convencia, mas sim o sentimento irradiante com que eram estruturadas. Raul Silva, sob a destra radiosa de Clementino, afigurava-se-nos aureolado de intensa luz.
— Ó Deus, que se passa comigo?... — conseguiu gritar Libório em lágrimas.
O irmão Clementino fez breve sinal a um dos assessores de nosso plano, que apressadamente acorreu, trazendo interessante peça que me pareceu uma tela de gaze tenuíssima, com dispositivos especiais, medindo por inteiro um metro quadrado, aproximadamente. O mentor espiritual da reunião manobrou pequena chave num dos ângulos do aparelho e o tecido suave se cobriu de leve massa fluídica, branquicenta e vibrátil.
Em seguida, postou-se novamente ao pé de Silva, que, controlado por ele, disse ao comunicante:
— Lembre-se, meu amigo, lembre-se! Faça um apelo à memória! Veja à frente os quadros que se desenrolarão aos nossos olhos!...
De imediato, como se tivesse a atenção compulsoriamente atraída para a tela, o visitante fixou-a e, desde esse momento, vimos com assombro que o retângulo sensibilizado exibia variadas cenas de que o próprio Libório era o principal protagonista.
Recebendo-as mentalmente, Raul Silva passou a descrevê-las:
— Observe, meu amigo! É noite. Ouve-se um burburinho de algazarra à distância... Sua mãe velhinha chama-o à cabeceira e pede-lhe assistência... Está exausta... Você é o filho que lhe resta... Derradeira esperança de flagelada vida. Único arrimo... A pobre sente-se morrer. A dispneia martiriza-a... E o distúrbio cardíaco pressagiando o fim do corpo... Tem medo. Declara-se receosa da solidão, de vez que é sábado carnavalesco e os vizinhos se ausentaram na direção dos centros festivos. Parece uma criança atemorizada... Contempla-o, ansiosa, e roga-lhe que fique... Você responde que sairá tão-somente por alguns minutos... o bastante para trazer-lhe a medicação necessária... Em seguida, avança, rápido, para uma gaveta situada em aposento próximo e apropria-se do único dinheiro de que a enferma dispõe, algumas centenas de cruzeiros, com que você se julga habilitado a desfrutar as falsas alegrias do seu clube... Amigos espirituais de seu lar abeiram-se de você, implorando socorro em favor da doente, quase moribunda, mas você se mostra impermeável a qualquer pensamento de compaixão... Dirige algumas palavras apressadas à enferma e sai para a rua. Em plena via pública, imanta-se aos indesejáveis companheiros desencarnados com os quais se afina... entidades turbulentas, hipnotizadas pelo vício, com as quais você se arrasta ao prazer... Por três dias e quatro noites consecutivos, entrega-se à loucura, com esquecimento de todas as obrigações... Somente na madrugada de quarta-feira você volta estafado e semi-inconsciente... A velhinha, socorrida por braços anônimos, não o reconhece mais... Aguarda, resignadamente, a morte, enquanto você se encaminha para um quarto dos fundos, na expectativa de conseguir um banho que o auxilie a refazer-se... Abre o gás e senta-se por alguns minutos, experimentando a cabeça entontecida... O corpo exige descanso, depois da louca folia... A fadiga surge, insopitável... Desapercebe-se de si mesmo e dorme semiembriagado, perdendo a existência, porque as emanações tóxicas lhe cadaverizam o coração... Na manhã clara de sol, um rabecão leva-o ao necrotério, como simples suicida...
Nessa altura, o interlocutor, como se voltasse de um pesadelo, bradou desesperado:
— Oh! Esta é a verdade! A verdade! Onde está minha casa? Sara, Sara, quero minha mãe, minha mãe!...
— Acalme-se! — recomendou Raul, compadecido — nunca nos faltará o socorro divino! Seu lar, meu amigo, cerrou-se com os seus olhos de carne e sua genitora, de outras esferas, lhe estende os braços amorosos e santificantes.
O comunicante, vencido, caiu em lágrimas. Tão grande lhe surgiu a crise emotiva que o mentor espiritual do grupo se apressou a desligá-lo do equipamento mediúnico, entregando-o aos vigilantes para que fosse convenientemente abrigado em organização próxima. Libório, em fundo processo de transformação, afastou-se, tornando Eugênia à posição normal. E porque a tela regressasse à transparência do início, desfechei sobre o nosso orientador algumas indagações improvisadas. Que função desempenhava aquele retângulo que eu ainda não conhecia? Que cenas eram aquelas que se haviam desdobrado céleres sob a nossa admiração?
— Aquele aparelho — informou Áulus, gentil — é um condensador ectoplásmico. Tem a propriedade de concentrar em si os raios de força projetados pelos componentes da reunião, reproduzindo as imagens que fluem do pensamento da entidade comunicante, não só para a nossa observação, mas também para a análise do doutrinador, que as recebe em seu campo intuitivo, agora auxiliado pelas energias magnéticas do nosso plano.
— Evidentemente, a engrenagem de semelhante mecanismo deve ser maravilhosa! — exclamou Hilário, sob forte impressão.
— Nada de espanto — alegou o orientador —; o hóspede espiritual apenas contempla os reflexos da mente de si mesmo, à maneira de pessoa que se examina, através de um espelho.
— Mas, se estamos à frente de um condensador de forças — considerei —, precisamos concluir que o êxito do trabalho depende da colaboração de todos os componentes do grupo...
— Exato — confirmou o Assistente —, as energias ectoplásmicas são fornecidas pelo conjunto dos companheiros encarnados, em favor de irmãos que ainda se encontram semimaterializados nas faixas vibratórias da experiência física. Por isso mesmo, Silva e Clementino necessitam do concurso geral para que a máquina do serviço funcione tão harmoniosamente quanto seja possível. Pessoas que exteriorizem sentimentos menos dignos, equivalentes a princípios envenenados nascidos das viciações de variada espécie, perturbam enormemente as atividades dessa natureza, porquanto arrojam no condensador as sombras de que se fazem veículo, prejudicando a eficiência da assembleia e impedindo a visão perfeita da tela por parte da entidade necessitada de compreensão e de luz.
Levava-nos o assunto a diferentes inquirições, mas o nosso orientador lançou-nos um olhar discreto, como a pedir-nos silêncio e atenção.


QUESTÕES PARA O ESTUDO:

1 - Além da dedicação do guia espiritual Clementino, o que foi determinante em Raul para que Libórnio pudesse amenizar seu comportamento?

2 - Qual foi o elemento principal para que as palavras "Libórnio, meu irmão!", usadas por Raul, levasse Libórnio ao pranto?

3 - Que procedimento deve ter um doutrinador diante de um comportamento rebelde de um irmão obsessor?

4 - Podemos afirmar que Libórnio praticou o suicídio, como foi suposto pelos que acharam seu corpo inerte? Justifique.

5 - Que máquina foi utilizada por Clementino, com a ajuda de Raul, para que Libórnio tomasse conhecimento de seus últimos momentos da sua vida material? De que forma ela funciona?


6 - Qual é o fator importante para o êxito do seu funcionamento? Por quê?


Perguntas extraídas do site www.cvdee.org.br