sábado, 5 de novembro de 2016

Conclusão do estudo do Capítulo I – Não vim destruir a lei
Itens 1 a 7
As Três Revelações

Revelar, do latim "revelare", significa, literalmente, sair sob o véu, e, figuradamente, descobrir, dar a conhecer uma coisa secreta ou desconhecida.
A característica essencial de qualquer revelação tem de ser a verdade. Revelar o segredo e tornar conhecido um fato; se e falso, já não e um fato e, por consequência, não existe revelação.
No sentido especial da fé religiosa, a revelação se refere, mais particularmente, das coisas espirituais que o homem não pode descobrir por meio da inteligência, nem com o auxilio dos sentidos, e cujo conhecimento lhe da Deus através de Seus mensageiros, quer por meio da palavra direta, quer pela inspiração. Neste caso, a revelação e sempre feita a homens predispostos, designados sob o nome de profetas ou messias.
Todas as religiões tiveram seus reveladores, e estes, embora longe estivessem de conhecer toda a verdade, tinham uma razão de ser providencial, porque eram apropriados ao tempo e ao meio em que viviam, ao caráter particular dos povos a quem falavam, e aos quais, eram relativamente superiores.
Allan Kardec [GEN-cap I] assevera que três foram as grandes revelações da Lei de Deus: a primeira representada por Moises, a segunda por Jesus e a terceira e ultima revelação pelo Espiritismo.
Em [O Consolador], o benfeitor Emmanuel tange ao tema da seguinte forma: "Até agora a Humanidade da era crista recebeu a grande Revelação em três aspectos essenciais: Moises trouxe a missão da Justiça; o Evangelho, a revelação insuperável do Amor e o Espiritismo, em sua feição de Cristianismo redivivo, traz, por sua vez, a sublime tarefa da Verdade."

Questão para estudo

1 - Faça um paralelo entre as Três Revelações.

Primeira Revelação: Moises
Moises, como profeta, revelou aos homens a existência de um Deus único e soberano Senhor e orientador de todas as coisas; promulgou a lei do Sinai e lançou as bases da verdadeira fé. Como homem, foi o legislador do povo pelo qual essa primitiva fé, purificando-se, havia de espalhar-se por sobre a Terra.
Examinando o missionário, Emmanuel assim se refere: “Moises trazia consigo as mais elevadas faculdades mediúnicas, apesar de suas características de legislador humano”.
E inconcebível que o grande missionário dos judeus e da Humanidade pudesse ouvir o espirito de Deus. Estais, porem habilitados a compreender que a Lei, ou a base da Lei (os Dez Mandamentos), foi-lhe ditada pelos emissários de Jesus.
Examinando-se os seus atos enérgicos de homem, ha a considerar as características da época em que se verificou sua grande tarefa. “Com expressões diversas, o grande enviado não poderia dar conta exata de suas preciosas obrigações, em face da Humanidade ignorante e materialista.”

Segunda Revelação: Jesus
A segunda grande revelação da Lei de Deus, na concepção de Kardec, foi apresentada por Jesus.
Segundo o benfeitor André Luiz [Evolução em Dois Mundos]: "Com Jesus, a religião, como sistema educativo, alcança eminencia inimaginável. Nem templos de pedras, nem rituais. Nem hierarquias efêmeras, nem avanço ao poder humano. O Mestre desaferrolha as arcas do conhecimento enobrecido e distribui-lhe os tesouros."
Allan Kardec, examinando a Revelação Crista, lembra que "O Cristo, tomando da antiga lei o que e eterno e divino e rejeitando o que era transitório, puramente disciplinar e de concepção humana, acrescentou a revelação da vida futura, de que Moises não falara, assim como a das penas e recompensas que aguardam o homem depois da morte."
Acrescenta Kardec que a filosofia crista estava sedimentada em uma concepção inteiramente nova da Divindade. Esta já não era mais a concepção de um Deus terrível, ciumento, vingativo, como O apresentava Moises, mas um Deus clemente, soberanamente bom e justo, cheio de mansidão e misericórdia, que perdoa ao vicioso e dá a cada um segundo as suas obras. Enfim, já não e o Deus que quer ser temido, mas o Deus que quer ser amado.

Terceira Revelação: Espiritismo
Allan Kardec apresenta o Espiritismo como sendo a Terceira Revelação da Lei de Deus, o Consolador prometido aos homens por Jesus, conforme anunciado por [Joao-XIV:15-17,26]: "Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Consolador, para que fique eternamente convosco, o Espirito da Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Mas vos o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará em vos. - Mas o Consolador, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinara todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito." Kardec, examinando o tema, afirma:
"O Espiritismo vem, no tempo assinalado, cumprir a promessa do Cristo. Ele chama os homens a observância da lei; ensina todas as coisas, fazendo compreender o que o Cristo só disse em parábolas. O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos porque ele fala sem figuras e alegorias."
Da mesma maneira que Jesus não veio destruir a lei mosaica, apresentada 15 séculos antes Dele por Moises, assim também o Espiritismo não vem derrogar a lei crista mas completa-la, desenvolve-la, enriquece-la. Nesse sentido, o Espiritismo se propõe a revelar tudo aquilo que Jesus não pode dizer aquela época em função da pouca maturidade espiritual de sua gente. Ele e, portanto, obra do Cristo, que o preside e o acompanha, objetivando a recuperação moral da humanidade.

Disponível em http://www.cvdee.org.br/est_eesetexto.asp?id=005&showc=S#conclusao
Capítulo I – Não vim destruir a lei
Itens 1 a 7
As Três Revelações

. As três revelações:
. Moisés, Cristo e o Espiritismo
. Aliança da Ciência com a Religião
Instruções dos Espíritos:
A nova era
1. .Não penseis que eu tenha vindo destruir a lei ou os profetas; eu não vim destruí-los, mas cumpri-los. Porquanto eu vos digo em verdade que o céu e a Terra não passarão sem que se cumpra perfeitamente tudo o que está na lei, até o último iota,[1] o último ponto... (Mateus, V:17 e 18.)
Moisés
2. Há duas partes distintas na lei mosaica: a lei de Deus, promulgada sobre o monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar estabelecida por Moisés. Uma é invariável; a outra, apropriada aos costumes e ao caráter do povo, modifica-se com o passar do tempo.
A lei de Deus está formulada nos dez mandamentos seguintes:
1. Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos tirei do Egito, da casa da servidão. Não tereis outros deuses estrangeiros diante de mim. Não fareis imagem esculpida, nem figura alguma de tudo o que está em cima, no Céu, e embaixo sobre a Terra, nem de tudo o que está nas águas sob a terra. Vós não os adorareis, nem lhes prestareis cultos soberanos.
2. Não tomareis em vão o nome do Senhor, vosso Deus.
3. Lembrai-vos de santificar o dia de sábado.
4. Honrai vosso pai e vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo sobre a terra que o Senhor, vosso Deus, vos dará.
5. Não matareis.
6. Não cometereis adultério.
7. Não roubareis.
8. Não dareis falso testemunho contra vosso próximo.
9. Não desejareis a mulher do vosso próximo.
10. Não cobiçareis a casa do vosso próximo, nem seu servo, nem sua serva, nem seu boi, seu asno, ou qualquer outra coisa que lhe pertença.
Essa lei é de todos os tempos e de todos os países e, por isso mesmo, tem um caráter divino. Todas as outras são leis estabelecidas por Moisés, obrigado a conter, pelo temor, um povo naturalmente turbulento e indisciplinado, no qual tinha que combater os abusos e os preconceitos enraizados, adquiridos durante a escravidão no Egito. Para dar autoridade às suas leis ele teve que lhes atribuir uma origem divina, assim como o fizeram todos os legisladores dos povos primitivos. A autoridade do homem devia apoiar-se sobre a autoridade de Deus, mas somente a ideia de um Deus terrível podia impressionar criaturas ignorantes, nas quais o senso moral e o sentimento de uma justiça imparcial estavam ainda pouco desenvolvidos.
É evidente que aquele que havia incluído em seus mandamentos: não matareis; não fareis mal ao vosso próximo., não poderia se contradizer fazendo do extermínio um dever. Portanto, as leis mosaicas, propriamente ditas, tinham um caráter essencialmente transitório.
Cristo
3. Jesus não veio destruir a lei, isto é, a lei de Deus. Ele veio cumpri-la, ou seja, desenvolvê-la, dar-lhe o seu verdadeiro sentido e apropriá-la ao grau de adiantamento dos homens. Eis por que se encontra nessa lei o princípio dos deveres para com Deus e para com o próximo, que constitui a base da sua doutrina. Quanto às leis de Moisés propriamente ditas, Jesus, ao contrário, modificou-as profundamente, seja no conteúdo, seja na forma. Combateu incessantemente o abuso das práticas exteriores e as falsas interpretações, e não podia fazer com que essas leis passassem por uma reforma mais radical do que quando as reduziu a estas palavras: Amar a Deus acima de todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo, e acrescentando eis aí toda a lei e os profetas.
Por estas palavras .O céu e a Terra não passarão, sem que se cumpra perfeitamente tudo até o último iota, Jesus quis dizer que era necessário que a lei de Deus fosse cumprida, isto é, fosse praticada sobre toda a Terra, em toda a sua pureza, com todos os seus desenvolvimentos e todas as suas consequências; porquanto, de que serviria ter estabelecido essa lei se ela tivesse de ficar como privilégio de alguns homens ou mesmo de um só povo? Sendo todos os homens filhos de Deus, eles são, sem nenhuma diferença, merecedores da mesma consideração.
4. O papel de Jesus, porém, não foi apenas o de um legislador moralista, sem outra autoridade que a da sua palavra; ele veio cumprir as profecias que haviam anunciado sua vinda, e a sua autoridade provinha da natureza excepcional do seu espírito e da sua missão divina. Ele veio ensinar aos homens que a verdadeira vida não está na Terra, mas no reino dos céus; ensinar-lhes o caminho que os conduz a esse reino, os meios de se reconciliarem com Deus e de preveni-los quanto à marcha das coisas que devem acontecer para a realização dos destinos humanos. Entretanto, ele não disse tudo, e sobre muitos pontos limitou-se a lançar o gérmen de verdades que, ele mesmo declarou, não podiam ainda ser compreendidas. Falou de tudo, mas em termos mais ou menos explícitos e, para perceber o sentido oculto de certas palavras, era preciso que novas ideias e novos conhecimentos viessem nos dar a sua solução, e essas ideias não poderiam surgir antes de certo grau de maturidade do espírito humano. A Ciência devia contribuir poderosamente para o surgimento e o desenvolvimento dessas ideias, era preciso, portanto, dar tempo para que a Ciência progredisse.
O Espiritismo
5. O Espiritismo é a nova ciência que veio revelar aos homens, com provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corporal. O Espiritismo nos mostra esse mundo, não como algo sobrenatural, mas, ao contrário, como uma das forças vivas e incessantemente atuantes da Natureza; como a fonte de uma infinidade de fenômenos, até então incompreendidos e, por essa razão, rejeitados como pertencentes ao domínio do fantástico e do maravilhoso. É a essas relações que o Cristo faz alusão em muitas circunstâncias, e é por isso que muitas coisas que Jesus disse ficaram incompreendidas ou foram erradamente interpretadas. O Espiritismo é a chave com a ajuda da qual tudo se explica com facilidade.
6. A lei do Antigo Testamento está personificada em Moisés, a do Novo Testamento está no Cristo; o Espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus, mas não está personificada em nenhum indivíduo, porque é o produto do ensinamento dado, não por um homem, mas pelos espíritos, que são as vozes do céu, sobre todos os pontos da Terra, e por uma multidão inumerável de intermediários. É, de certa forma, um ser coletivo, abrangendo o conjunto de seres do mundo espiritual, vindo, cada um, trazer aos homens a contribuição de seus conhecimentos, para fazê-los conhecer aquele mundo e a sorte que nele os espera.
7. Assim como o Cristo disse: Eu não vim destruir a lei, mas cumpri-la., o Espiritismo igualmente diz: .Eu não vim destruir a lei cristã, mas cumpri-la... O Espiritismo nada ensina que seja contrário ao que o Cristo ensinou, mas desenvolve, completa e explica, em termos claros para todas as pessoas, o que só foi dito sob a forma alegórica. O Espiritismo veio cumprir, no tempo predito, o que Cristo anunciou, e preparar a realização das coisas futuras. Ele é, portanto, obra do Cristo, que o preside, assim como igualmente o anunciou, à regeneração que se realiza e que prepara o reino de Deus sobre a Terra.

Questão para estudo

1 - Faça um paralelo entre as Três Revelações.

Disponível em http://www.cvdee.org.br/est_eesetexto.asp?id=005




[1] Iota: nona letra do alfabeto grego. (N.T.)

sábado, 15 de outubro de 2016

Conclusão do Estudo do Capítulo VII - Item 13
Missão do homem inteligente na Terra


A inteligência é um poderoso instrumento de progresso que Deus confiou ao homem para que a desenvolva em benefício de todos, fazendo progredir as inteligências retardatárias e a si próprio. Abusar dessa faculdade é assumir graves responsabilidades de débitos, cujo resgate é muito doloroso.


1 - Por que não deve o homem se envaidecer do seu cabedal de conhecimento?

Porque esses conhecimentos têm limites muito estreitos no mundo que habitamos. Assim sendo, ele deve ter a humildade para reconhecer que não sabe tudo e que lhe resta muito a aprimorar e a desenvolver. Para isso ele se encontra na Terra.

Ao invés de se envaidecer, o homem deve utilizar o saber que já possui para ajudar aqueles menos aquinhoados em termos de inteligência.

2 - Uma inteligência desenvolvida é sinônimo de progresso?

Não necessariamente. O que caracteriza um espírito evoluído é o seu progresso intelectual e moral. Mas pode ocorrer que uma inteligência humana bem desenvolvida intelectualmente não esteja acompanhada do desenvolvimento espiritual (moral).

O grande erro das criaturas humanas foi valorizar exageradamente a inteligência, desprezando os valores legítimos do coração, nos caminhos da vida. (Emmanuel / O consolador / Questão 120).

3 - É a inteligência um instrumento de progresso?

Sim. Um poderoso instrumento, quando utiliizada com bons sentimentos e voltada à causa do bem. Quando, porém, mal empregada, acarreta sofrimento aos atingidos, assumindo graves débitos aos seus causadores.

Grandes assassinos e criminosos são, muitas vezes, dotados de muita inteligência.


Disponível em http://www.cvdee.org.br/est_eesetexto.asp?id=038&showc=S#conclusao
Estudo do Capítulo VII - Item 13
Missão do homem inteligente na Terra
13. Não vos orgulheis do que sabeis, porque esse saber tem limites bem estreitos no mundo que habitais. Mesmo supondo que sejais uma das maiores inteligências da Terra, não tendes nenhum direito de vos envaidecer por isso. Se Deus, nos seus desígnios, vos fez nascer em um meio onde pudestes desenvolver vossa inteligência, é porque quis que fizésseis uso dela para o bem de todos; é uma missão que Ele vos dá, colocando em vossas mãos o instrumento com a ajuda do qual podeis desenvolver as inteligências retardatárias, ao vosso redor, e conduzi-las a Deus. A natureza do instrumento não torna patente o uso que dele se deve fazer? A enxada que o jardineiro coloca nas mãos do seu ajudante não lhe indica que ele deve cavar a terra? E o que diríeis se esse ajudante, em vez de cavar, erguesse a enxada para ferir o jardineiro? Diríeis que isso é horrível, e que ele merece ser mandado embora. Muito bem, não ocorre o mesmo com aquele que se utiliza da sua inteligência para destruir a ideia de Deus e da Providência entre seus semelhantes? Não ergue ele contra o seu Senhor a enxada que lhe foi dada para preparar o terreno? Terá ele direito ao salário prometido ou, ao contrário, merece ser mandado embora do jardim? E o será, não o duvideis, e viverá existências miseráveis e cheias de humilhações, até que se curve diante daquele a quem tudo deve.
A inteligência é cheia de méritos para o futuro, desde que seja bem empregada. Se todos os homens, que são bem dotados em inteligência, se servissem dela de acordo com a vontade de Deus, a tarefa dos espíritos, para fazer a humanidade avançar, seria fácil. Infelizmente, muitos a transformam em instrumento de orgulho e de perdição para si mesmos. O homem abusa da sua inteligência, como de todas as suas faculdades, entretanto, não lhe faltam lições para adverti-lo de que uma poderosa mão pode retirar-lhe o que ela mesma lhe deu. (Ferdinando, espírito protetor. Bordeaux, 1862.)


Questões para estudo:

1 - Por que não deve o homem se envaidecer do seu cabedal de conhecimento?

2 - Uma inteligência desenvolvida é sinônimo de progresso?

3 - É a inteligência um instrumento de progresso?

Disponível em http://www.cvdee.org.br/est_eesetexto.asp?id=038

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Conclusão da Introdução
ITEM IV
Sócrates e Platão, precursores da ideia crista e do Espiritismo

Apesar de Sócrates nada ter deixado escrito, podemos conhecer sua doutrina através dos escritos de Platão. Se a analisarmos, verificamos que existem diversos pontos em comum com os preceitos da Doutrina Espirita.
Conforme sabemos, as grandes ideias jamais irrompem de súbito, portanto, temo-los como os precursores dessa doutrina tão maravilhosa que e a Doutrina Espirita.

1 - Sendo Jesus um espirito de tão grande envergadura, por que haveria de enviar Sócrates e Platão para serem seus precursores?
Da mesma forma que temos que arar o terreno para receber a nova semente que ira produzir frutos, as grandes ideias terão uma maior receptividade das pessoas se houver precursores que lhe preparam o solo.

Jesus, portanto, se utilizou de precursores para que sua encarnação na Terra pudesse ser melhor compreendida entre os homens. Apesar de termos visto tanta iniquidade, tanta falta de compaixão, sabemos que os primeiros cristãos davam sua vida pelo ideal do Amor. Isto se deve, justamente, aos corações já preparados para receber a palavra do Cristo.
Introdução
ITEM IV
Sócrates e Platão, precursores da ideia crista e do Espiritismo

Supondo-se que Jesus conheceu a seita dos essênios, seria errado concluir-se que foi dela que Ele tirou a sua doutrina, e que, se tivesse vivido em outro meio, teria professado outros princípios.
As grandes ideias nunca aparecem subitamente; aquelas que têm por base a verdade, sempre apresentam precursores que lhes preparam parcialmente o caminho. Depois, quando os tempos são chegados, Deus envia um homem com a missão de resumir, coordenar e completar esses elementos esparsos, e com eles formar uma base. Desta maneira, não chegando bruscamente, ela encontra, ao aparecer, espíritos inteiramente dispostos a aceitá-la. Assim ocorreu com a ideia cristã, que foi pressentida muitos séculos antes de Jesus e dos essênios e da qual Sócrates[1] e Platão[2] foram os principais precursores.
Sócrates, da mesma forma que o Cristo, nada escreveu, ou, pelo menos, não deixou nenhum escrito. Como o Cristo, teve a morte dos criminosos, vítima do fanatismo, por haver atacado as crenças existentes e posto a virtude real acima da hipocrisia e da aparência das formas, em uma palavra, por haver combatido os preconceitos religiosos. Como Jesus, foi acusado pelos fariseus de corromper o povo com os seus ensinamentos. Sócrates também foi acusado pelos fariseus do seu tempo, porque eles existiram em todas as épocas de corromper a juventude, ao proclamar o dogma da unidade de Deus, a imortalidade da alma e a vida futura. Assim como nós conhecemos a doutrina de Jesus somente pelos escritos de seus discípulos, conhecemos a de Sócrates pelos escritos do seu discípulo Platão. Cremos que será útil resumir aqui os pontos mais importantes da doutrina socrática para demonstrar a sua concordância com os princípios do Cristianismo.
Àqueles que olharem este paralelo como uma profanação, e considerarem que não pode haver semelhança entre a doutrina de um pagão e a de Cristo, responderemos que a doutrina de Sócrates não era pagã, porquanto ela possuía como objetivo combater o paganismo; que a doutrina de Jesus, mais completa e mais depurada que a de Sócrates, nada tem a perder com a comparação; que a grandeza de missão divina do Cristo não poderia ser diminuída e que a história não pode ser sufocada. O homem chegou a um ponto em que a luz sai por si mesma de debaixo do alqueire[3], e ele está pronto para olhá-la de frente, tanto pior para aqueles que não ousarem abrir os olhos. É chegado o tempo de encarar as coisas amplamente, do alto, e não sob o ponto de vista mesquinho e estreito dos interesses de seitas e de castas.
Por outro lado, estas citações provarão que, se Sócrates e Platão pressentiram a ideia cristã, encontra-se, igualmente, na sua doutrina os princípios fundamentais do Espiritismo.
Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão
I. O homem é uma alma encarnada. Antes da sua encarnação ela existia unida aos tipos primordiais, às ideias da verdade, do bem e do belo; encarnando, separou-se deles, e, lembrando-se do seu passado ela fica mais ou menos atormentada pelo desejo de a ele voltar.
Não se pode explicar mais claramente a diferença e a independência entre o princípio inteligente, ou seja, a alma, e o princípio material, isto é, o corpo. Além disso, é a doutrina da preexistência da alma, da vaga intuição que ela conserva de um outro mundo ao qual ela aspira, da sua sobrevivência ao corpo, da sua saída do mundo espiritual para encarnar e da sua volta a esse mesmo mundo após a morte, é, enfim, o gérmen da doutrina dos anjos decaídos.
II. A alma se extravia e se perturba quando se serve do corpo para estudar qualquer assunto; tem vertigens como se estivesse ébria, porque ela se liga a coisas que são, por sua natureza, sujeitas a mudanças; ao passo que, quando contempla sua própria essência, ela se volta para o que é puro, eterno, imortal, e, sendo da mesma natureza, aí permanece ligada tanto tempo quanto possa. Então, findam as suas perturbações, porque ela está unida ao que é imutável, e a esse estado de alma é o que se chama sabedoria.
Assim, ilude-se o homem que considera as coisas por baixo, terra-a-terra, sob o ponto de vista material; para apreciá-las com precisão, é preciso vê-las do alto, isto é, do ponto de vista espiritual. Portanto, o verdadeiro sábio deve, de algum modo, isolar a alma do corpo, para ver com os olhos do espírito. É isso que o Espiritismo ensina. (Cap. II, item 5.)
III. Enquanto tivermos o nosso corpo, e a alma se encontrar mergulhada nessa corrupção, jamais, possuiremos o objeto dos nossos desejos: a verdade. De fato, o corpo nos oferece mil obstáculos pela necessidade que temos de cuidar dele; além disso, ele nos enche de desejos, de apetites, de temores, de mil quimeras e de mil tolices, de maneira que, com ele, é impossível sermos sábios ao menos por um instante, porém, se é impossível conhecer alguma coisa com pureza, enquanto a alma está unida ao corpo, de duas coisas temos que concluir por uma: ou não se conhecer á jamais a verdade, ou ela só será conhecida após a morte. Libertos da loucura do corpo, então conversaremos, é lógico que se espere, com homens igualmente livres, e conheceremos, por nós mesmos, a essência das coisas. Eis por que os verdadeiros filósofos se preparam para morrer, e a morte não lhes parece, de maneira alguma, temível. (O Céu e o Inferno, 1a parte, cap. II; 2a parte, cap. I.)
Aqui temos o princípio das faculdades da alma, obscurecidas por terem como intermediários os órgãos corporais, e o da expansão dessas faculdades após a morte. Trata-se, porém, das almas de elite, já depuradas, não ocorre o mesmo com as almas impuras.
IV. A alma impura, nesse estado, está entorpecida e é arrastada novamente para o mundo visível pelo horror do que é invisível e imaterial. Então, ela perambula, segundo dizem, ao redor dos monumentos e dos túmulos, perto dos quais se tem visto, às vezes, fantasmas tenebrosos, como devem ser as imagens das almas que deixaram o corpo sem estarem inteiramente puras, e que ainda conservam alguma coisa da forma material, o que faz com que os olhos humanos possam percebê-las. Não são as almas dos bons, mas as dos maus que são forçadas a vagar nesses lugares, onde carregam as penas de sua vida passada, e onde continuam a vagar até que os desejos inerentes à forma material, que os atraem, as devolvam a um outro corpo, e então elas retomam, sem dúvida, os mesmos costumes que, durante sua vida anterior, eram motivo de suas predileções.
Não é somente o princípio da reencarnação que aqui está claramente expresso; o estado das almas que ainda estão sob o domínio da matéria também é descrito tal como o Espiritismo o demonstra nas evocações.[4] E há mais, ali se diz que a reencarnação em um corpo material é uma consequência da impureza da alma, enquanto as almas purificadas estão livres dela. O Espiritismo não diz outra coisa; somente acrescenta que a alma que tomou boas resoluções na erraticidade,[5] e que adquiriu conhecimentos, traz, ao nascer, menos defeitos, mais virtudes e mais ideias intuitivas do que as que possuía em sua existência anterior, e que assim cada existência marca um progresso intelectual e moral para ela. (O Céu e o Inferno, 2a parte, .Exemplos.)
V. Após nossa morte, o gênio (daïmon, demônio), que nos havia sido designado durante a vida, nos leva a um lugar onde se reúnem todos aqueles que devem ser conduzidos ao Hades,[6] para ali serem julgados. As almas, após terem permanecido no Hades o tempo necessário, são reconduzidas a esta vida por numerosos e longos períodos.
Esta é a doutrina dos Anjos Guardiães ou Espíritos Protetores, e das reencarnações sucessivas, após intervalos mais ou menos longos na erraticidade.
VI. Os demônios ocupam o espaço que separa o céu da Terra; são o elo que une o Grande Todo a si mesmo. A divindade não entra nunca em comunicação direta com o homem; é por intermédio dos demônios que os deuses se relacionam e conversam com ele, seja durante a vigília, seja durante o sono.
A palavra daïmon, da qual se originou demônio, não era levada em mau sentido na antiguidade como o é nos tempos modernos; o termo não designava, de forma alguma, seres malfazejos, mas os seres em geral, entre os quais se distinguiam os espíritos superiores, chamados deuses, e os espíritos menos elevados, ou demônios propriamente ditos, que se comunicavam diretamente com os homens. O Espiritismo também diz que os espíritos povoam o espaço; que Deus só se comunica com os homens por intermédio dos espíritos puros, encarregados de transmitir suas vontades; que os espíritos se comunicam com eles durante o estado de vigília e durante o sono. Se substituirmos a palavra demônio pela palavra espírito, teremos a Doutrina Espírita, se a substituirmos pela palavra anjo, teremos a doutrina cristã.
VII. A preocupação constante do filósofo (tal como Sócrates e Platão a compreendiam) é a de tomar o maior cuidado com a alma, e menos com esta vida, que não representa mais que um instante perante a eternidade. Se a alma é imortal, não é sábio viver tendo em vista a eternidade?
O Cristianismo e o Espiritismo ensinam a mesma coisa.
VIII. Se a alma é imaterial, ela deve passar, após esta vida, para um mundo igualmente invisível e imaterial, da mesma forma que o corpo, ao se decompor, retorna à matéria. Somente importa distinguir bem a alma pura, verdadeiramente imaterial, que se alimenta, como Deus, da Ciência e de pensamentos, da alma mais ou menos manchada de impurezas materiais que a impedem de se elevar ao divino, e a retêm nos lugares da sua estada terrestre.
Sócrates e Platão, como se vê, compreendiam perfeitamente os diferentes graus de desmaterialização da alma; eles insistem na diferença de situação que resulta para ela da sua maior ou menor pureza. O que eles dizem por intuição, o Espiritismo o prova pelos numerosos exemplos que apresenta aos nossos olhos. (O Céu e o Inferno, 2a parte.)
IX. Se a morte fosse a dissolução integral do homem, isso seria uma grande vantagem para os maus; após a morte eles se livrariam, ao mesmo tempo, de seu corpo, de sua alma e de seus vícios. Aquele que adornou sua alma, não com enfeites estranhos, mas com aqueles que lhe são próprios, somente poderá aguardar tranquilamente a hora da sua partida para o outro mundo.
Em outras palavras, isto equivale a dizer que o materialismo, que proclama o nada após a morte, seria a anulação de toda a responsabilidade moral posterior, e, por consequência, um incentivo ao mal; que as pessoas más têm tudo a ganhar com o nada; que somente aquele que se livrou de seus vícios, e se enriqueceu de virtudes, pode esperar, tranquilamente, o despertar na outra vida. O Espiritismo nos mostra, pelos exemplos que diariamente põe diante de nós, quanto é penoso para os maus a passagem de uma vida para a outra, a entrada na vida futura. (O Céu e o Inferno, 2a parte, cap. I.)
X. O corpo conserva os vestígios bem marcados dos cuidados que se tomou com ele ou dos acidentes que sofreu. O mesmo ocorre com a alma; quando ela se liberta do corpo, traz os traços evidentes do seu caráter, das suas afeições e as impressões que cada um dos atos da sua vida lhe deixou. Assim, o maior mal que pode acontecer a um homem, é ir para o outro mundo com a alma carregada de crimes. Tu vês, Cálicles, que nem tu, nem Pólus, nem Gorgias, saberiam provar que se deve levar uma outra vida que nos será útil quando formos para lá. De tantas opiniões diversas, a única que permanece inabalável é a de que mais vale receber que cometer uma injustiça, e que, acima de todas as coisas, devemos nos dedicar, não a parecer, mas a ser um homem de bem. (Diálogos de Sócrates com seus discípulos, na prisão.)
Aqui encontramos este outro ponto capital, confirmado atualmente pela experiência, o de que a alma não depurada conserva as ideias, as tendências, o caráter e as paixões que ela possuía na Terra. Esta máxima: “Mais vale receber que cometer uma injustiça?” não é totalmente cristã? É o mesmo pensamento que Jesus exprime nestas palavras: “Se alguém te bater em uma face, oferece-lhe também a outra”. (Cap. XII, itens 7 e 8.)
XI. De duas coisas, uma: ou a morte é uma destruição absoluta ou é a passagem da alma para outro lugar. Se tudo deve se extinguir, a morte será como uma dessas raras noites que nós passamos sem sonhar e sem nenhuma consciência de nós mesmos. Mas se a morte é somente uma mudança de morada, a passagem para um lugar onde os mortos devem se reunir, que felicidade é para nós ali reencontrarmos os nossos conhecidos! Meu maior prazer seria examinar de perto os habitantes dessa morada e de distinguir, como aqui, aqueles que são sábios daqueles que acreditam ser, mas não o são. Mas é chegado o tempo de nos separarmos, eu para morrer, vocês para viverem. (Sócrates e os seus juízes.)
Segundo Sócrates, os homens que viveram na Terra se reencontram após a morte e se reconhecem. O Espiritismo nos mostra que as relações que entre eles se estabeleceram continuam, de tal forma que a morte não é uma interrupção, nem uma cessação da vida, mas uma transformação, sem solução de continuidade.
Se Sócrates e Platão tivessem conhecido os ensinamentos que Cristo daria quinhentos anos mais tarde, e aqueles que os espíritos agora nos dão, não teriam falado de maneira diferente. Nisso não há nada que possa surpreender, se considerarmos que as grandes verdades são eternas, e que os espíritos adiantados tiveram conhecimento delas antes de virem encarnar na Terra, para onde as trouxeram; que Sócrates, Platão e os grandes filósofos de seu tempo, mais tarde puderam fazer parte do número daqueles que secundaram Cristo na sua divina missão, e que eles foram escolhidos precisamente porque já compreendiam, mais que os outros, seus sublimes ensinamentos; e que eles podem, enfim, fazer parte, atualmente, do grupo de espíritos encarregados de vir ensinar as mesmas verdades aos homens.
XII. Jamais se deve retribuir injustiça com injustiça, nem fazer o mal a ninguém, qualquer que seja o mal que nos tenham feito. Poucas pessoas, entretanto, admitem esse princípio, e as que não concordam com ele, só podem desprezar-se umas às outras.
Não é esse o princípio da caridade que nos ensina a não retribuir o mal com o mal e a perdoar os nossos inimigos?
XIII. É pelos frutos que se reconhece a árvore. É preciso qualificar cada ação de acordo com os seus efeitos; chamá-la de má quando suas consequências forem más, e de boa quando dessa ação nascer o bem.
Esta máxima: “É pelos frutos que se reconhece a árvore” encontra-se repetida, textualmente, várias vezes no Evangelho.
XIV. A riqueza é um grande perigo. Todo homem que ama a riqueza não ama nem a si nem ao que é seu, mas a uma coisa que lhe é mais estranha ainda do que aquilo que lhe pertence.(Cap. XVI.)
XV. As mais belas preces e os mais belos sacrifícios agradam menos à Divindade do que uma alma virtuosa que se esforça para assemelhar-se a ela. Seria algo muito grave se os deuses dessem mais atenção às nossas oferendas do que à nossa alma; se assim fosse, os maiores culpados poderiam tornar os deuses favoráveis a eles. Mas não, porquanto só são verdadeiramente sábios e justos aqueles que, por suas palavras e por seus atos, se absolvam do que devem aos deuses e aos homens. (Cap. X, itens 7 e 8.)
XVI. Chamo de homem vicioso esse amante vulgar que ama o corpo mais do que a alma. O amor está por toda a parte na Natureza e nos convida a exercer a nossa inteligência; nós o encontramos até no movimento dos astros. É o amor que adorna a Natureza com seus ricos tapetes verdes; ele se enfeita e fixa sua morada lá onde encontra flores e perfumes. É ainda o amor que dá paz aos homens, calma ao mar, silêncio aos ventos e sono à dor.
O amor, que deve unir os homens por um laço fraterno, é uma consequência dessa teoria de Platão sobre o amor universal, como lei da Natureza. Quando Sócrates disse que .o amor não é um deus nem um mortal, mas um grande demônio., isto é, um grande espírito presidindo ao amor universal, essas palavras lhe foram atribuídas como crime.
XVII. Não se pode ensinar a virtude; ela vem por um dom de Deus para aqueles que a possuem.
Isso é quase a doutrina cristã sobre a ajuda divina; mas se a virtude é um dom de Deus, é um favor, então pode-se perguntar porque não foi concedida a todas as pessoas. Por um outro lado, se ela é um dom, não traz nenhum mérito para aquele que a possui. O Espiritismo é mais claro, ele diz que aquele que possui a virtude consegue adquiri-la por seus esforços nas sucessivas existências, livrando-se pouco a pouco das suas imperfeições. A ajuda divina é a força com que Deus favorece toda criatura de boa vontade para se livrar do mal e para fazer o bem.
XVIII. Existe uma disposição natural em cada um de nós para percebermos muito mais os defeitos dos outros do que os nossos.
O Evangelho diz: “Vês o argueiro no olho do teu irmão e não vês a trave no teu”. (Cap. X, itens 9 e 10.)
XIX. Se os médicos fracassam na maior parte das doenças, é porque tratam o corpo sem a alma, e porque, o todo não estando em bom estado, é impossível que a parte esteja bem.
O Espiritismo explica as relações que existem entre a alma e o corpo, e prova que existe a reação incessante de um sobre o outro. Ele abre, assim, um novo caminho para a Ciência, mostrando-lhe a verdadeira causa de certas afecções e dando-lhe os meios de combatê-las. Quando a Ciência se der conta da ação do elemento espiritual no organismo ela fracassará muito menos.
XX. Todos os homens, a partir da infância, fazem mais o mal do que o bem.
Estas palavras de Sócrates se referem à importante questão da predominância do mal sobre a Terra, questão insolúvel sem o conhecimento da pluralidade dos mundos e da destinação da Terra, onde habita apenas uma pequena fração da humanidade. Só o Espiritismo dá a esse assunto uma solução, que está desenvolvida mais adiante, nos capítulos II, III e V.
XXI. A sabedoria está em não acreditares que sabes o que não sabes.
Isto se destina às pessoas que criticam as coisas que, muitas vezes, desconhecem inteiramente. Platão completa este pensamento de Sócrates dizendo: “Tentemos, inicialmente, se possível, torná-los mais honestos nas palavras; se não o conseguirmos, não nos preocupemos mais com eles e busquemos apenas a verdade. Tratemos de nos instruir, mas não nos aborreçamos”. É assim que devem agir os espíritas com relação aos seus contraditores de boa ou de má-fé. Se Platão vivesse nos dias de hoje, encontraria as coisas parecidas com as de seu tempo e poderia usar a mesma linguagem; Sócrates também acharia pessoas que zombariam da sua crença nos espíritos e o chamariam de louco, assim como ao seu discípulo, Platão.
Foi por haver professado esses princípios que Sócrates foi inicialmente ridicularizado, depois, acusado de impiedade e condenado a beber cicuta, um veneno. Tanto isto é certo que as novas grandes verdades, ao levantarem contra si os interesses e os preconceitos que elas contrariam, não podem ser estabelecidas sem lutas e sem fazer mártires.



[1] Sócrates: ilustre filósofo grego (Ática, 470 . Antes, 399 a.C.), dedicou-se ao estudo moral do homem. Acusado de impiedade foi preso e condenado a envenenar-se com cicuta. (N.T.)
[2] Platão: filósofo grego, discípulo de Sócrates e mestre de Aristóteles (Atenas, 428 ou 427 . Atenas, 348 ou 347 a.C.) Escreveu os Diálogos, através dos quais os dados a respeito da personalidade e da filosofia de Sócrates chegaram até nós. (N.T.)
[3] Alqueire: antiga unidade de medida de capacidade para cereais, de conteúdo variável segundo a região (mais ou menos 13 litros), cujo recipiente podia ser feito em barro ou em madeira, em forma de caixa, daí a expressão .não colocar a candeia debaixo do alqueire.. (N.T.)
[4] Evocação é o ato de evocar, isto é, chamar por um espírito para que ele se manifeste. Não confundir com invocar, que é pedir, rogar, suplicar proteção ou auxílio. Por intermédio da prece, invoca-se um poder superior, invoca-se Deus. (N.T.)
[5] Denomina-se erraticidade ao estado dos espíritos não encarnados, ou errantes, ou erráticos, durante os intervalos de suas diversas existências corporais. Ver O Livro dos Espíritos, cap. VI, perguntas 223 a 233. (N.T.)
[6] Hades ou Ades: divindade grega dos infernos, esposo de Prosérpina. Assim também se denomina a residência dos mortos, os infernos.