quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Conclusão do Capítulo 13 - Débito estacionário

O tema apresentado pelo nosso Instrutor nos chama para uma realidade distinta em torno às afinidades, ajuste e consequências no desenrolar das existências. Cabe-nos refletir e perguntar-nos:

1.- Os Espíritos que voltam para a Terra em prova de expiação, contam com certeira ajuda para desfazer-se de seus débitos. Quais os mecanismos dessa ajuda?
    A misericórdia divina é infinita, quando se trata de colocar à nossa disposição mecanismos de ajuda em nossa passagem pelas provas da vida física. Desde o nascimento, contamos com um espírito protetor, pertencente a uma ordem elevada, que tem a missão de nos assistir durante a jornada terrena, acompanhando-nos desde a nossa chegada até a morte do corpo. Além desse anjo guardião, uma falange de Espíritos benfeitores está permanentemente à nossa disposição para nos socorrer sempre que nos sentimos enfraquecidos para o enfrentamento das provas, bastando, para tanto, que saibamos buscar a ajuda e que façamos por merecê-la, pela sintonia com o plano espiritual superior. Enfim, são muitos os mecanismos de auxílio que o Alto nos oferece, como a intercessão, de que temos um exemplo no caso narrado no presente capítulo.

2.- Os mecanismos das ligações entre os espíritos em prova se dão no âmbito da "afinidade pura" e continuam durante o tempo em que a afinidade os ligue. Nestes casos, em que as criaturas permanecem ligadas entre elas, haverá dificuldade quando se intentar modificar, pela ajuda, a extensão da prova?
    A dificuldade é sempre maior quando o espírito em prova, ao invés de se situar como o devedor resignado, que está tendo a oportunidade do ressarcimento através da reencarnação, mantém-se psiquicamente ligado às zonas inferiores, onde estagiam entidades perseverantes na prática do mal, sem nutrir qualquer pensamento que sinalize o desejo de transformação. Como no caso em estudo, Sabino vivia distante da realidade atual, com seu pensamento ainda mergulhado num passado em que vivenciou, existência após existência, numerosos delitos. Mantinha-se preso às garras da criminalidade e, em semelhante estado mental, dificultava o amparo do Alto, que, como dissemos acima, depende da disposição íntima do espírito em prova para que possa dele desfrutar. A única ajuda que naquele momento lhe aproveitaria era a sua internação num corpo físico inteiramente desorganizado, que lhe servisse como pausa na seqüência de desatinos a que vinha se dedicando e que o protegesse do assédio das entidades malignas do plano espiritual, com as quais se sintonizava.

3.- Como entender:
a) "reciprocamente alimentados pelas forças que exteriorizam"?
b) Esta simbiose é natural?
As forças a que se refere o assistente Silas são os fluidos que emanam do nosso pensamento. Estes fluidos formam uma atmosfera espiritual e combinam-se pela semelhança de suas naturezas. Os semelhantes se agregam; os diferentes se repelem. O pensamento, portanto, produz uma espécie de efeito físico que reage sobre o moral. O perispírito, que é formado de elementos extraídos dos fluidos espirituais, absorve os fluidos à sua volta, como uma esponja absorve um líquido, na comparação de Kardec, ao estudar o tema em "A Gênese".
 Como narra André Luiz ao longo do capítulo, Poliana e Sabino há séculos eram parceiros em atos criminosos, aquela sempre inspirando e servindo de companheira a este. Encontravam-se de tal modo imantados pela natureza de seus pensamentos, que criaram uma espécie de "dependência psíquica", em que buscavam mutuamente se nutrir das energias emanadas do outro. Sem dúvida, a situação caracterizava um processo de simbiose espiritual, atendendo à lei natural de sintonia, que vigora no Universo. Poliana, contudo, dava sinais de que sua transformação se avizinhava. Como a Natureza não dá saltos, os séculos em que juntos perseveraram na prática criminosa deixaram raízes que a imantavam a Sabino, que somente o tempo e uma vontade firme e determinada são capazes de extirpar.

4.- Quando Silas diz:  "Tu que nos deste, pelo Cristo, a divina revelação do sofrimento, como sendo o roteiro de nossa recondução para os Teus braços...", reconhece a dor como a única libertadora da alma?
    No estágio evolutivo em que nos situamos, a dor ainda exerce um relevante papel no nosso progresso. Seria negar a bondade divina se admitíssemos que a dor é o único instrumento para a libertação do espírito. No entanto, é preciso entender o momento em que nos encontramos, ainda situados num patamar de progresso inferior, presos a paixões e vícios enraizados há séculos em nosso psiquismo. Assim, os resgates pela dor são feitos na medida exata da necessidade de cada um. A resignação e a aceitação do sofrimento são, portanto, elementos de impulsão para o nosso crescimento. Jesus ensinou que bem-aventurados seriam os aflitos, porque serão consolados. Acena, através desse ensinamento, com uma compensação aos que sofrem com resignação, ensinando que o sofrimento trazido pela dor deve ser bendito, pois é o início da cura. Como explica Allan Kardec em "O Evangelho segundo o Espiritismo", "as dores deste mundo são o pagamento da dívida que as vossas passadas faltas vos fizeram contrair; suportadas pacientemente na Terra, essas dores vos poupam séculos de sofrimentos na vida futura. Deveis, pois, sentir-vos felizes por reduzir Deus a vossa dívida, permitindo que a saldeis agora, o que vos garantirá a tranqüilidade no porvir".

5.- A prece formulada pelo Instrutor é atendida depressa pelos envidados do Céu. Temos a certeza de que nossos apelos serão assim respondidos?
A prece, como sabemos, é um dos modos de nos comunicarmos com o plano espiritual superior para (a) pedir, por nós ou por outros, (b) agradecer pelo que já recebemos ou estamos recebendo ou (c) para louvar, quando, sentindo e entendendo a sabedoria, bondade e poder de Deus, manifestamos-lhe nossa admiração, contentamento e confiança. Estando Deus em toda a parte e ligado diretamente ao nosso pensamento, a prece nunca se perde e sempre chega ao seu destino. Praticando-a com sinceridade, estaremos sempre em contato com o Criador e receberemos a influência dos benfeitores espirituais que estão a seu serviço. É abençoada luz, assimilando correntes superiores de força mental que nos auxiliam no resgate ou na ascensão. Quando estamos expiando algum equívoco do passado, a prece nos auxilia e nos conforta, dando-nos força e resignação para suportar a provação..
Todavia, é preciso entender que a prece, por si só, não modifica nem soluciona as dificuldades por que temos que passar, em decorrência das leis de causa e efeito. As leis Naturais são inflexíveis e se fazem cumprir automaticamente, por força de um magnetismo que ainda não estamos aptos a compreender inteiramente. Quando oramos, reunimos energias que nos fortalecem para o enfrentamento das provas. Não logramos nos furtar delas, mas, certamente, estamos nos habilitando a poder enfrentá-las com outra disposição e, até, a obter a sua atenuação. Não derroga mesmo nenhuma das leis divinas. Mas pode acioná-­las em nosso favor. Ao orar, usamos a capacidade de agir e pensar que Deus nos concede. Se obtivermos resultado favorável é porque o que havíamos pedido era possível, faltando apenas que movimentássemos nossas forças nesse sentido, o que fizemos através da prece.

6.- Silas afirma que "as melhoras adquiridas pela organização perispirítica serão apressadamente assimiladas pelas células do equipamento fisiológico". Podemos ajuntar alguma outra ideia para encher o conceito?
O corpo físico é uma organização material plasmada pelo espírito por intermédio de seu perispírito. Pela identidade com o perispírito quanto à sua natureza, o fluido cósmico universal pode lhe fornecer princípios reparadores, que refletirão no corpo físico, propiciando a sua cura. A cura ou a melhora de uma enfermidade física através do magnetismo, como o fez Silas em relação a Poliana, pode ser conseguida através de uma transfusão de energias, por meio do passe magnético e da magnetização da água. Os fluidos doados ao enfermo fornecem princípios reparadores ao perispírito, que os repassa ao corpo, mediante a substituição de uma molécula malsã por uma molécula sadia. O poder curativo está na razão direta da pureza da substância transfundida. Esse fenômeno se explica pelo fato de serem o corpo carnal e o perispírito constituídos de elementos extraídos do fluido cósmico  universal, do qual são simples transformações e de onde também são tirados os fluidos curadores.                                             
A ação curadora é condicionada à energia da vontade, conforme as intenções do agente que opera a emissão fluídica e a disposição do enfermo em recebê-la. Quanto maior for a vontade de curar e mais puros forem os fluidos doados, mais abundante será a emissão fluídica e com maior poder de penetração. No caso em exame, o agente das energias curadoras era um espírito dedicado ao bem, que se dedicava com amor ao trabalho de socorro espiritual. Poliana, por sua vez, tinha consciência do seu papel na assistência a Sabino e, por isso, desejava a melhora para poder continuar a servi-lo. Silas aplicou na doente passe magnético e depositou na água que seria por ela ingerida fluidos medicamentosos, transformando-a no remédio de que necessitava para obter a melhora desejada.

7.- Sabino permanece engaiolado a um corpo, preso das suas recordações, respondendo-se a si mesmo. Como descortina André Luiz os refolhos da sua alma?
Sabino se mantinha encapsulado no próprio íntimo, incapaz de adotar qualquer pensamento que não se reportasse ao passado que o levou àquela situação. Não foi difícil ao benfeitores, nestas condições, penetrarem-lhe o pensamento e recolherem as informações necessárias, através de uma conversa mental. O enfermo percebeu, através das ondas mentais, as indagações que lhe eram dirigidas por André Luiz e, imediatamente, respondeu-as através do pensamento.

8.- O Débito Congelado é para o Espírito um estagio isolado onde a Lei da Justiça dá espaço à Lei da Clemência. Podemos refletir nesta situação e formular considerações?
Conforme explicou Silas, Sabino se encontrava de tal modo enclausurado em seu próprio íntimo e em seu pretérito delituoso que ainda não deixara amadurecer a vontade da renovação que se fazia necessária. Sua presença consciente na Terra ou no Espaço, explica o Assistente, provocaria perturbações e tumultos de consequências imprevisíveis para encarnados e desencarnados que com ele viessem a conviver. Em tais condições, a misericórdia de Deus lhe propiciou desfrutar uma pausa em sua trajetória de crimes, que lhe serviria como um ensaio de esquecimento, para que, no futuro, possa se habilitar a resgatar o imenso débito acumulado durante anos de desatino. Iniciará, então, o seu processo de recuperação, que, certamente, será feito através de duras expiações que terá de suportar com resignação e paciência.



Nenhum comentário:

Postar um comentário