Conclusão
do Capítulo 13 - Débito estacionário
O tema apresentado pelo nosso Instrutor nos chama para
uma realidade distinta em torno às afinidades, ajuste e consequências no
desenrolar das existências. Cabe-nos refletir e perguntar-nos:
1.- Os
Espíritos que voltam para a Terra em prova de expiação, contam com certeira
ajuda para desfazer-se de seus débitos. Quais os mecanismos dessa ajuda?
A
misericórdia divina é infinita, quando se trata de colocar à nossa disposição
mecanismos de ajuda em nossa passagem pelas provas da vida física. Desde o
nascimento, contamos com um espírito protetor, pertencente a uma ordem elevada,
que tem a missão de nos assistir durante a jornada terrena, acompanhando-nos
desde a nossa chegada até a morte do corpo. Além desse anjo guardião, uma
falange de Espíritos benfeitores está permanentemente à nossa disposição para
nos socorrer sempre que nos sentimos enfraquecidos para o enfrentamento das
provas, bastando, para tanto, que saibamos buscar a ajuda e que façamos por
merecê-la, pela sintonia com o plano espiritual superior. Enfim, são muitos os
mecanismos de auxílio que o Alto nos oferece, como a intercessão, de que temos
um exemplo no caso narrado no presente capítulo.
2.- Os
mecanismos das ligações entre os espíritos em prova se dão no âmbito da
"afinidade pura" e continuam durante o tempo em que a afinidade os
ligue. Nestes casos, em que as criaturas permanecem ligadas entre elas, haverá
dificuldade quando se intentar modificar, pela ajuda, a extensão da prova?
A dificuldade é sempre maior quando o
espírito em prova, ao invés de se situar como o devedor resignado, que está
tendo a oportunidade do ressarcimento através da reencarnação, mantém-se
psiquicamente ligado às zonas inferiores, onde estagiam entidades perseverantes
na prática do mal, sem nutrir qualquer pensamento que sinalize o desejo de
transformação. Como no caso em estudo, Sabino vivia distante da realidade
atual, com seu pensamento ainda mergulhado num passado em que vivenciou,
existência após existência, numerosos delitos. Mantinha-se preso às garras da
criminalidade e, em semelhante estado mental, dificultava o amparo do Alto,
que, como dissemos acima, depende da disposição íntima do espírito em prova
para que possa dele desfrutar. A única ajuda que naquele momento lhe
aproveitaria era a sua internação num corpo físico inteiramente desorganizado,
que lhe servisse como pausa na seqüência de desatinos a que vinha se dedicando
e que o protegesse do assédio das entidades malignas do plano espiritual, com
as quais se sintonizava.
3.-
Como entender:
a)
"reciprocamente alimentados pelas forças que exteriorizam"?
b) Esta
simbiose é natural?
As
forças a que se refere o assistente Silas são os fluidos que emanam do nosso
pensamento. Estes fluidos formam uma atmosfera espiritual e combinam-se pela
semelhança de suas naturezas. Os semelhantes se agregam; os diferentes se
repelem. O pensamento, portanto, produz uma espécie de efeito físico que reage
sobre o moral. O perispírito, que é formado de elementos extraídos dos fluidos
espirituais, absorve os fluidos à sua volta, como uma esponja absorve um
líquido, na comparação de Kardec, ao estudar o tema em "A Gênese".
Como narra André Luiz ao longo do capítulo,
Poliana e Sabino há séculos eram parceiros em atos criminosos, aquela sempre inspirando
e servindo de companheira a este. Encontravam-se de tal modo imantados pela
natureza de seus pensamentos, que criaram uma espécie de "dependência
psíquica", em que buscavam mutuamente se nutrir das energias emanadas do
outro. Sem dúvida, a situação caracterizava um processo de simbiose espiritual,
atendendo à lei natural de sintonia, que vigora no Universo. Poliana, contudo,
dava sinais de que sua transformação se avizinhava. Como a Natureza não dá
saltos, os séculos em que juntos perseveraram na prática criminosa deixaram
raízes que a imantavam a Sabino, que somente o tempo e uma vontade firme e determinada
são capazes de extirpar.
4.-
Quando Silas diz: "Tu que nos
deste, pelo Cristo, a divina revelação do sofrimento, como sendo o roteiro de
nossa recondução para os Teus braços...", reconhece a dor como a única
libertadora da alma?
No estágio evolutivo em que nos situamos, a
dor ainda exerce um relevante papel no nosso progresso. Seria negar a bondade
divina se admitíssemos que a dor é o único instrumento para a libertação do
espírito. No entanto, é preciso entender o momento em que nos encontramos,
ainda situados num patamar de progresso inferior, presos a paixões e vícios
enraizados há séculos em nosso psiquismo. Assim, os resgates pela dor são
feitos na medida exata da necessidade de cada um. A resignação e a aceitação do
sofrimento são, portanto, elementos de impulsão para o nosso crescimento. Jesus
ensinou que bem-aventurados seriam os aflitos, porque serão consolados. Acena,
através desse ensinamento, com uma compensação aos que sofrem com resignação,
ensinando que o sofrimento trazido pela dor deve ser bendito, pois é o início
da cura. Como explica Allan Kardec em "O Evangelho segundo o Espiritismo",
"as dores deste mundo são o pagamento da dívida que as vossas passadas
faltas vos fizeram contrair; suportadas pacientemente na Terra, essas dores vos
poupam séculos de sofrimentos na vida futura. Deveis, pois, sentir-vos felizes
por reduzir Deus a vossa dívida, permitindo que a saldeis agora, o que vos
garantirá a tranqüilidade no porvir".
5.- A
prece formulada pelo Instrutor é atendida depressa pelos envidados do Céu.
Temos a certeza de que nossos apelos serão assim respondidos?
A
prece, como sabemos, é um dos modos de nos comunicarmos com o plano espiritual
superior para (a) pedir, por nós ou por outros, (b) agradecer pelo que já
recebemos ou estamos recebendo ou (c) para louvar, quando, sentindo e
entendendo a sabedoria, bondade e poder de Deus, manifestamos-lhe nossa
admiração, contentamento e confiança. Estando Deus em toda a parte e ligado
diretamente ao nosso pensamento, a prece nunca se perde e sempre chega ao seu
destino. Praticando-a com sinceridade, estaremos sempre em contato com o Criador
e receberemos a influência dos benfeitores espirituais que estão a seu serviço.
É abençoada luz, assimilando correntes superiores de força mental que nos
auxiliam no resgate ou na ascensão. Quando estamos expiando algum equívoco do
passado, a prece nos auxilia e nos conforta, dando-nos força e resignação para
suportar a provação..
Todavia,
é preciso entender que a prece, por si só, não modifica nem soluciona as
dificuldades por que temos que passar, em decorrência das leis de causa e
efeito. As leis Naturais são inflexíveis e se fazem cumprir automaticamente,
por força de um magnetismo que ainda não estamos aptos a compreender
inteiramente. Quando oramos, reunimos energias que nos fortalecem para o
enfrentamento das provas. Não logramos nos furtar delas, mas, certamente,
estamos nos habilitando a poder enfrentá-las com outra disposição e, até, a
obter a sua atenuação. Não derroga mesmo nenhuma das leis divinas. Mas pode
acioná-las em nosso favor. Ao orar, usamos a capacidade de agir e pensar que
Deus nos concede. Se obtivermos resultado favorável é porque o que havíamos
pedido era possível, faltando apenas que movimentássemos nossas forças nesse
sentido, o que fizemos através da prece.
6.-
Silas afirma que "as melhoras adquiridas pela organização perispirítica
serão apressadamente assimiladas pelas células do equipamento fisiológico".
Podemos ajuntar alguma outra ideia para encher o conceito?
O corpo
físico é uma organização material plasmada pelo espírito por intermédio de seu
perispírito. Pela identidade com o perispírito quanto à sua natureza, o fluido
cósmico universal pode lhe fornecer princípios reparadores, que refletirão no
corpo físico, propiciando a sua cura. A cura ou a melhora de uma enfermidade
física através do magnetismo, como o fez Silas em relação a Poliana, pode ser
conseguida através de uma transfusão de energias, por meio do passe magnético e
da magnetização da água. Os fluidos doados ao enfermo fornecem princípios
reparadores ao perispírito, que os repassa ao corpo, mediante a substituição de
uma molécula malsã por uma molécula sadia. O poder curativo está na razão
direta da pureza da substância transfundida. Esse fenômeno se explica pelo fato
de serem o corpo carnal e o perispírito constituídos de elementos extraídos do
fluido cósmico universal, do qual são
simples transformações e de onde também são tirados os fluidos curadores.
A ação
curadora é condicionada à energia da vontade, conforme as intenções do agente
que opera a emissão fluídica e a disposição do enfermo em recebê-la. Quanto
maior for a vontade de curar e mais puros forem os fluidos doados, mais
abundante será a emissão fluídica e com maior poder de penetração. No caso em
exame, o agente das energias curadoras era um espírito dedicado ao bem, que se
dedicava com amor ao trabalho de socorro espiritual. Poliana, por sua vez,
tinha consciência do seu papel na assistência a Sabino e, por isso, desejava a
melhora para poder continuar a servi-lo. Silas aplicou na doente passe
magnético e depositou na água que seria por ela ingerida fluidos medicamentosos,
transformando-a no remédio de que necessitava para obter a melhora desejada.
7.-
Sabino permanece engaiolado a um corpo, preso das suas recordações,
respondendo-se a si mesmo. Como descortina André Luiz os refolhos da sua alma?
Sabino se mantinha encapsulado no próprio íntimo,
incapaz de adotar qualquer pensamento que não se reportasse ao passado que o
levou àquela situação. Não foi difícil ao benfeitores, nestas condições,
penetrarem-lhe o pensamento e recolherem as informações necessárias, através de
uma conversa mental. O enfermo percebeu, através das ondas mentais, as
indagações que lhe eram dirigidas por André Luiz e, imediatamente, respondeu-as
através do pensamento.
8.- O
Débito Congelado é para o Espírito um estagio isolado onde a Lei da Justiça dá
espaço à Lei da Clemência. Podemos refletir nesta situação e formular
considerações?
Conforme explicou Silas, Sabino se encontrava de tal
modo enclausurado em seu próprio íntimo e em seu pretérito delituoso que ainda
não deixara amadurecer a vontade da renovação que se fazia necessária. Sua
presença consciente na Terra ou no Espaço, explica o Assistente, provocaria
perturbações e tumultos de consequências imprevisíveis para encarnados e
desencarnados que com ele viessem a conviver. Em tais condições, a misericórdia
de Deus lhe propiciou desfrutar uma pausa em sua trajetória de crimes, que lhe
serviria como um ensaio de esquecimento, para que, no futuro, possa se
habilitar a resgatar o imenso débito acumulado durante anos de desatino.
Iniciará, então, o seu processo de recuperação, que, certamente, será feito
através de duras expiações que terá de suportar com resignação e paciência.
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